Itamaraty diz que Reino Unido está interessado em acordo comercial com Mercosul
O embaixador Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores, afirmou nesta sexta-feira, 26, que o Reino Unido demonstrou interesse em estabelecer um acordo comercial com o Mercosul, em um movimento que reabre discussões sobre cooperação econômica entre as partes.
O diplomata explicou que o histórico de negociações entre Reino Unido e União Europeia, período em que o país ainda integrava o bloco antes do Brexit, reduz a necessidade de uma retomada integral das tratativas, já que parte do conteúdo pode ser reaproveitada.
O acordo entre União Europeia e Mercosul entrou em vigor em maio após quase 30 anos de negociação. O texto tem caráter provisório, uma vez que depende da aprovação dos Parlamentos nacionais dos países do bloco para validade completa, etapa que enfrenta resistência política em diferentes países.
"O Reino Unido manifestou interesse também em começar negociações, mas, na prática, é retomar. Quando estávamos negociando com a União Europeia, na maior parte, eles estavam dentro. Com o Brexit, saiu e agora nós vamos ter que recomeçar em outras bases, obviamente, mas muito do que já foi feito valeria", disse Gough, em declaração à imprensa.
O embaixador também relacionou o avanço dessas conversas ao contexto da agenda internacional do Mercosul, com destaque para reuniões previstas na cúpula do bloco.
Avanço de negociações internacionais do Mercosul
O secretário do Itamaraty afirmou que a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prevista para a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, em Assunção, no Paraguai, se concentra no segundo dia do evento, sem confirmação de encontros bilaterais até o momento.
Durante a programação, o bloco deve formalizar o início das negociações de um acordo de parceria econômica com o Japão e avançar nas tratativas com o Canadá, com expectativa de anúncio de conclusão nos próximos meses.
O embaixador informou que as discussões com o Canadá registraram avanço nas normas durante o semestre de presidência do Paraguai, com uma rodada realizada em Toronto no fim de maio.
O representante do Itamaraty afirmou que o possível acordo com os Emirados Árabes Unidos segue estágio semelhante ao canadense, com pendência na definição da regra de origem, que estabelece critérios sobre a procedência dos produtos comercializados. O país do Oriente Médio mantém como principais importações do Brasil itens como carne, açúcar, grãos e produtos minerais.
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