JBS avança no Oriente Médio com joint venture e aporte de US$ 150 milhões
A JBS, empresa de alimentos, vai investir US$ 150 milhões em uma nova joint venture no Oriente Médio, em parceria com o fundo soberano de Omã. O projeto com a Oman Food Capital (OFC) prevê duas unidades industriais voltadas à produção de carnes halal — bovina, de cordeiro e de aves — destinadas ao mercado global.
Hoje, os alimentos halal — aqueles permitidos para consumo segundo as leis islâmicas, conforme os preceitos do Alcorão e da sharia (o conjunto de normas religiosas do Islã) — formam um dos segmentos de maior crescimento no setor alimentício mundial.
O mercado já movimenta mais de US$ 2 trilhões por ano, tendo a proteína animal como principal produto. Segundo estimativas da Nielsen, o consumo de carnes halal deve ultrapassar US$ 1,5 trilhão até 2027. Atualmente, mais de 1,9 bilhão de pessoas seguem a dieta tradicional islâmica em todo o mundo.
A nova holding será controlada pela JBS, com 80% de participação, enquanto os 20% restantes ficarão com a OFC — reforçando a estratégia de expansão da companhia no Oriente Médio.
“Esse investimento reforça a nossa estratégia de diversificar a plataforma de produção por geografia e por tipo de proteína”, afirmou Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS. “Decidimos que essa região é uma área onde queremos estar. Há crescimento populacional, aumento de renda e forte demanda por proteína.”
Além da parceria com Omã, a joint venture inclui os ativos das empresas locais A’Namaa, que opera uma planta de aves em Ibri, e Al Bashayer, responsável por uma unidade de carne bovina e de cordeiro em Thumrait, no sul do país.
A expectativa é que o processamento de bovinos e cordeiros comece dentro de seis meses, enquanto a produção de aves deve entrar em operação em até um ano.
Quando estiver em plena capacidade, a estrutura será capaz de processar até 1.000 bovinos, 5.000 cordeiros e 600 mil aves por dia, totalizando uma produção estática superior a 300 mil toneladas anuais.
A aposta no Oriente Médio
Com o novo polo industrial em Omã, a JBS passa a operar em 26 países e realiza seu primeiro investimento upstream — ou seja, na origem da produção — no Oriente Médio.
“Nosso foco agora é construir uma plataforma altamente competitiva para conquistar a preferência dos consumidores locais”, afirmou Tomazoni. “Produzir próximo do consumidor é uma vantagem competitiva importante, principalmente em um mundo geopolítico mais instável", disse.
Para o executivo, a região do Golfo tem intensificado políticas de segurança alimentar desde a pandemia de covid-19 e, mais recentemente, em resposta aos impactos da guerra na Ucrânia.
Com a nova operação, Omã se tornará a base da JBS para abastecer os mercados halal do Golfo e do Norte da África. “Queremos transformar esse projeto em um hub multiproteínas de exportação para o mundo islâmico,” disse o executivo.
O projeto também prevê o desenvolvimento de cadeias locais de abastecimento. A empresa já mapeou fornecedores e está pronta para estruturar a cadeia com assistência técnica e fornecimento regular.
O investimento inicial cobre a compra das plantas industriais e as adaptações necessárias para o início das operações. A produção de frangos será totalmente verticalizada, incluindo todas as etapas — desde a produção de ovos até o abate.
O Oriente Médio já era alvo de movimentos estratégicos da JBS, como a inauguração e ampliação de uma planta da Seara em Jedá, na Arábia Saudita, com investimentos de US$ 85 milhões. A companhia também mantém unidades industriais em Dammam (Arábia Saudita) e Ras Al Khaimah (Emirados Árabes Unidos).
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