Jovens latino-americanos defendem mais espaço na política em fórum em Brasília

Por Estela Marconi 21 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Jovens latino-americanos defendem mais espaço na política em fórum em Brasília

Os jovens latino-americanos que participaram de um fórum em Brasília defenderam maior participação nas decisões políticas e mais acesso a oportunidades, em um debate que reuniu propostas voltadas ao fortalecimento da democracia e ao enfrentamento de desafios estruturais da região.

As discussões ocorreram ao longo de dois dias no encontro “Governos do Futuro: Expectativas da Juventude”, organizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), com apoio da Agência EFE. O evento foi encerrado nesta quarta-feira com a elaboração de uma carta aberta com recomendações que será encaminhada a autoridades da América Latina e do Caribe.

Entre os participantes, a principal demanda foi a ampliação do papel dos jovens na formulação de políticas públicas. Para os presentes, o distanciamento entre juventude e instituições políticas está relacionado menos à falta de interesse e mais a barreiras estruturais de acesso.

“Conseguimos criar propostas que se transformaram em uma carta, que espero que seja recebida com muito carinho e respeito por nossos governantes para que possamos ter uma América Latina e um Caribe melhores, mais justos e com mais oportunidades para os jovens”, afirmou à EFE o estudante de Geografia Keven Paca, de 22 anos, morador da periferia de Brasília.

Carta propõe regulação digital e combate à desinformação

O documento final, intitulado Carta da Juventude pelo Futuro da Democracia, reúne cinco eixos principais de reivindicações, com foco na participação política, inclusão social e proteção contra desinformação.

Um dos pontos centrais é a defesa de regras mais rígidas para plataformas digitais, incluindo maior transparência sobre algoritmos e responsabilização de grandes empresas de tecnologia pela disseminação de conteúdos falsos.

O tema ganhou paralelo com medidas recentes adotadas pelo governo brasileiro. No mesmo período do evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto que estabelece regras para remoção preventiva de conteúdos considerados ofensivos em redes sociais, especialmente em casos de crimes graves como terrorismo, ataques à democracia, racismo, homofobia e violência contra a mulher.

Além da regulação digital, os jovens também defenderam a inclusão de educação midiática e digital no currículo escolar, como forma de reduzir a vulnerabilidade à desinformação, especialmente em um cenário de avanço da inteligência artificial.

A carta também apresenta demandas ligadas à proteção de grupos historicamente vulneráveis, como mulheres, população negra, indígenas e minorias sexuais. O texto defende ampliação de políticas públicas de combate à violência e garantia de acesso a serviços básicos.

Outro eixo trata das condições de trabalho, com pedido por políticas que assegurem emprego digno e tempo livre, permitindo maior participação cidadã da juventude.

Diagnóstico aponta distância entre juventude e política tradicional

Ao final do encontro, uma enquete com participantes indicou uma percepção de desalinhamento entre expectativas e realidade institucional na região. Para 83,7% dos jovens, o cenário ideal envolve uma reforma que coloque a juventude como “ator político central”, embora essa mudança seja vista como distante no curto prazo.

Entre os entrevistados, 46% acreditam que o sistema democrático deve se manter sem grandes alterações, enquanto 31% projetam aumento da influência de discursos populistas e da polarização política na região.

As avaliações foram reforçadas por relatos de jovens de diferentes países latino-americanos, reunidos por meio de vídeos produzidos pela Agência EFE em nações como Argentina, Colômbia, Bolívia, México e Venezuela.

De forma geral, os participantes apontaram que o afastamento das novas gerações da política institucional não decorre de apatia, mas de dificuldades de acesso e do que descreveram como predominância de estruturas tradicionais nos partidos.

Nesse contexto, a atividade partidária foi frequentemente caracterizada como concentrada em elites políticas, com baixa abertura para renovação geracional.

Como propostas, os jovens defenderam mudanças no funcionamento dos partidos, ampliação da educação política e mecanismos de maior fiscalização cidadã nos processos eleitorais.

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