JP Morgan vê aceleração do PIB no primeiro trimestre. O que isso significa?
O JPMorgan Chase revisou para cima os riscos para sua projeção para o crescimento da economia brasileira em 2026, destacando um início de ano mais forte do que o previsto, mas com sinais claros de desaceleração nos próximos trimestres.
Segundo o relatório semanal do banco, a atividade econômica em fevereiro veio forte, ainda que abaixo do esperado.
Os economistas do JP Morgan apontam que, de forma acumulada, a produção industrial avançou 3%, as vendas no varejo 2% e a atividade de serviços 0,2% nos dois primeiros meses do ano. Além disso, os serviços às famílias, que têm maior peso no PIB do que no relatório mensal de serviços, cresceram cerca de 1% em janeiro e fevereiro.
"Esse desempenho dos serviços às famílias, combinado com dois meses de fortes vendas no varejo, sugere que o consumo se recuperou no primeiro trimestre após três trimestres de fraqueza”, diz o relatório.
O desempenho acumulado de janeiro e fevereiro indica um primeiro trimestre robusto. “Esse cenário de indicadores de atividade sólidos aponta para riscos de alta em nossa estimativa de crescimento do PIB do primeiro trimestre, de 2,8%.”, diz o banco.
O que está puxando o crescimento
O banco atribui a melhora da atividade a dois fatores principais. O primeiro é o efeito retardado de estímulos fiscais adotados no segundo semestre de 2025.
O segundo vetor é a retomada do crédito, após um período prolongado de fraqueza. “Após trimestres de fraqueza, novos originações de crédito aceleraram na viradado ano”, diz o relatório.
Além disso, o mercado de trabalho resiliente e a recuperação do consumo das famílias também contribuíram para o desempenho mais positivo no início do ano.
Apesar do começo forte, o JP Morgan mantém a expectativa de uma desaceleração relevante à frente. “Continuamos a esperar uma forte desaceleração daqui para frente”, afirmam os analistas.
Indicadores mais recentes já apontam nessa direção. Segundo o banco, dados preliminares sugerem queda disseminada em marçoem setores como indústria, varejo e serviços.
A avaliação é que o crescimento deve voltar a um ritmo abaixo do potencial já no segundo trimestre, pressionado por margens corporativas mais fracas e condições financeiras mais apertadas.
O peso do cenário externo
O banco também destaca riscos adicionais vindos do cenário internacional, especialmente a guerra no Oriente Médio e seus efeitos sobre energia e inflação.
"No lado negativo, na medida em que o conflito no Oriente Médio eleve os custos de insumos e de crédito, somando-se ao aumento da incerteza e à erosão da renda real, isso pode provocar um período de fraqueza na atividade econômica mais intenso do que o previsto em nosso cenário-base", diz o relatório.
Por outro lado, apontam os economistas do JP Morgan, o governo está antecipando parte dos gastos previstos no orçamento, ao mesmo tempo em que implementa uma série de medidas para amortecer o impacto do choque do petróleo sobre os preços domésticos, ampliar o crédito a exportadores e reduzir o endividamento das famílias.
"O efeito líquido do conflito e do estímulo de políticas sobre a economia poderá, em última instância, determinar o ritmo de crescimento no segundo e no terceiro trimestres", afirmam.
Fiscal segue como principal preocupação
Mesmo com a recuperação de curto prazo, o quadro fiscal continua sendo um dos principais pontos de atenção.
"O cenário fiscal deve permanecer desafiador além das eleições, como indica o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, apresentado em 15 de abril", diz o documento.
Para o banco, as dificuldades para cumprir as metas persistem, com a manutenção do objetivo de superávit primário de 0,5% do PIB, em linha com as diretrizes anteriores, assim como em 2026.
A instituição avalia que, mesmo com metas ambiciosas, o resultado primário deve continuar deficitário, diante de premissas consideradas otimistas para receitas e despesas.
No cenário-base, o JP Morgan projeta crescimento de 1,3% para o PIB brasileiro em 2026.
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