Justiça da Itália nega extradição de Carla Zambelli para o Brasil
A Corte de Cassação da Itália negou nesta sexta-feira o pedido do governo brasileiro para a extradição da ex-deputada Carla Zambelli. Os detalhes da decisão, proferida pelo tribunal que representa a última instância do Judiciário italiano, ainda não foram divulgados.
Nas instâncias inferiores, a extradição havia sido autorizada, mas não chegou a ser executada em razão da possibilidade de recurso.
Segundo a defesa de Zambelli, o tribunal reconheceu falhas nas decisões que permitiram a extradição. Com isso, a ex-deputada poderá deixar a prisão nos próximos dias e deverá aguardar o desfecho do processo em liberdade.
A prisão de Zambelli
Zambelli foi presa em julho do ano passado, em Roma, capital italiana, enquanto tentava evitar o cumprimento de um mandado de prisão expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Com dupla cidadania, a ex-deputada deixou o Brasil após ser condenada pelo STF a 10 anos de prisão pela invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ocorrida em 2023. De acordo com as investigações, ela foi apontada como autora intelectual do ataque, que resultou na emissão de um falso mandado de prisão contra Alexandre de Moraes.
Ainda segundo as informações da investigação, o hackeamento foi executado por Walter Delgatti, que também foi condenado e afirmou ter agido a mando da parlamentar.
Após a ida para a Itália, o governo brasileiro solicitou a extradição de Zambelli.
Crises, condenações e fuga: relembre linha do tempo do caso Zambelli
29 de outubro de 2022 — Perseguição armada na véspera da eleição
Às vésperas do segundo turno presidencial, Zambelli sacou uma arma e perseguiu o jornalista Luan Araújo pelas ruas dos Jardins, em São Paulo, conforme registrou O Globo. A ação, amplamente divulgada nas redes sociais, violou determinação do TSE que proibia porte de armas no período eleitoral. Especialistas classificaram o episódio como ilegal e desproporcional, abrindo caminho para a investigação que mais tarde resultaria em condenação no STF.
Janeiro de 2023 — Invasão ao sistema do CNJ
Em janeiro de 2023, o sistema do CNJ foi invadido e documentos falsificados foram inseridos, incluindo um mandado de prisão fraudulento contra Alexandre de Moraes. A ação foi atribuída ao hacker Walter Delgatti Neto, o “hacker de Araraquara”, como mostrou O Globo. Investigações posteriores indicaram que a operação buscava desacreditar o Judiciário e o sistema eleitoral.
3 de agosto de 2023 — PF mira Zambelli e prende Delgatti
A Polícia Federal deflagrou operação para apurar a participação de Zambelli nos ataques cibernéticos. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços da deputada, e Delgatti teve prisão decretada. Em decisão citada por O Globo, Moraes afirmou que o hacker atuou sob orientação de Zambelli “para expandir a narrativa fraudulenta contra o processo eleitoral”.
29 de fevereiro de 2024 — Indiciamento
A PF concluiu o inquérito e indiciou Zambelli e Delgatti por invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica, apontando que o hacker acessou o sistema do CNJ a pedido da parlamentar. Zambelli negou as acusações, enquanto Delgatti declarou que a deputada financiou a ação.
15 de maio de 2025 — Condenação no STF
A Primeira Turma do STF condenou Zambelli a 10 anos de prisão em regime fechado, multa milionária e perda do mandato, além de torná-la inelegível por oito anos. A decisão estabeleceu o vínculo formal da deputada com crimes contra o Estado Democrático de Direito.
Maio a junho de 2025 — Fuga e prisão preventiva
Após a condenação, Zambelli deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina, foi para os EUA e depois seguiu para a Itália, onde possui cidadania, segundo O Globo. Moraes decretou sua prisão preventiva, afirmando que a deputada buscava evitar o cumprimento da pena. Ela foi incluída na lista vermelha da Interpol, tornando-se procurada em 196 países.
29 de julho de 2025 — Prisão na Itália
Zambelli foi presa na Itália após a inclusão de seu nome na lista da Interpol. Desde então, aguarda o julgamento do pedido de extradição feito pelo Brasil.
30 de outubro de 2025 — Condenação definitiva por perseguição armada
O STF confirmou o trânsito em julgado da condenação relacionada ao episódio de 2022, fixando pena de cinco anos e três meses de prisão. A Corte comunicou a Câmara sobre a necessidade de iniciar o processo de cassação.
11 de dezembro de 2025 — Câmara mantém mandato, STF reage
Mesmo após ser informada da perda automática do mandato, a Câmara dos Deputados votou por manter Zambelli no cargo, como relatou O Globo. Horas depois, Moraes anulou a decisão por inconstitucionalidade e ordenou a posse imediata do suplente.
14 de dezembro de 2025 — Renúncia ao mandato
Com o cenário irreversível, Zambelli apresentou sua renúncia, informou O Globo. A ex-deputada segue presa na Itália e aguarda definição sobre extradição para o cumprimento das penas impostas pelo STF.
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