Líder do Japão faz alerta sobre a China e promete ampliar defesa
Em seu primeiro discurso no parlamento após as eleições na sexta, 20, a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, alertou parlamentares sobre a coerção chinesa, prometendo reformar a estratégia de defesa do país, flexibilizar as restrições às exportações militares e fortalecer as cadeias de suprimentos.
Seu mandato, de apenas quatro meses, foi marcado por tensões diplomáticas com a China após Takaichi dizer que o Japão poderia usar a força em resposta a qualquer invasão chinesa em Taiwan, sugerindo que um ataque também ameaçaria a segurança japonesa.
Aproveitando o ímpeto de uma vitória eleitoral histórica na câmara baixa esse mês, que a manteve no cargo, Takaichi reforça uma agenda para conter o que ela considera uma crescente ameaça econômica e de segurança da China e de seus parceiros regionais, como a Coreia do Norte e a Rússia.
"O Japão enfrenta o ambiente de segurança mais severo e complexo desde a Segunda Guerra Mundial”, disse Takaichi em seu discurso. "A China intensificou suas tentativas de mudar unilateralmente o status quo por meio da força ou coerção no Mar da China Oriental e no Mar da China Meridional", disse ela aos legisladores.
Supermaioria: Takaichi enfrenta pouca resistência política
Com sua coalizão no controle de dois terços da câmara baixa, em uma supermaioria sem precedentes para seu partido, o LDP, a premiê enfrenta pouca resistência política e é capaz de sobrepujar vetos da câmara alta, onde não tem maioria.
Takaichi disse que seu governo revisaria os documentos centrais de segurança do país para produzir uma nova estratégia de defesa e acelerar uma reforma de regras sobre exportação militar para expandir vendas no exterior e fortalecer companhias de defesa.
Além disso, a premiê acelerou uma iniciativa de reforço militar de 2023 que dobrará os gastos de defesa do Japão para 2% do PIB nacional até o fim de março, transformando o país em um dos maiores gastadores do mundo nesse setor.
Também anunciou planos para um conselho de inteligência nacional liderado por ela, para consolidar informações coletadas por diversos órgãos, como a polícia e o Ministério de Defesa – o Japão não tem uma agência central de inteligência nacional comparável à americana CIA, por exemplo.
Um painel de políticas do LDP chegou a propor que a administração descarte totalmente regras sobre exportação militar de equipamento não letal, como coletes à prova de balas, reporta o jornal local Kyodo. Essa mudança aumentaria significativamente o escopo das exportações militares japonesas.
Simultaneamente, prometeu reduzir a dependência do Japão de “países específicos”, sem detalhar mais, ao fortalecer cadeias de suprimentos e acordos multilaterais com aliados para adquirir minerais críticos, como terras raras.
"Uma nação que não enfrenta desafios não tem futuro", disse ela em suas considerações finais. "A política que busca apenas proteger não pode inspirar esperança."
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