‘Liderança nunca foi sobre cargos, mas sobre pessoas’: a visão de quem liderou times globais

Por Gabriella Uota 10 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
‘Liderança nunca foi sobre cargos, mas sobre pessoas’: a visão de quem liderou times globais

Liderar equipes em três continentes, atravessar culturas radicalmente diferentes e tomar decisões estratégicas em ambientes de alta pressão não é um exercício teórico. É rotina.

Ao longo de 28 anos na General Motors, Rosana Herbst construiu uma carreira que passou por finanças, planejamento estratégico, marketing, desenvolvimento de produtos e transformação digital — quase sempre em posições onde a complexidade era a regra.

Com experiências na América do Sul, Suíça, Coreia do Sul e China, a executiva brasileira hoje olha para trás com uma convicção clara de que, no fim, liderança nunca foi sobre cargos ou organogramas, sempre foi sobre pessoas.

Uma carreira construída dentro da complexidade

Rosana entrou jovem na GM e percorreu diferentes áreas ao longo de quase três décadas. Foram dez anos em finanças, passagens por planejamento estratégico de longo prazo, marketing de produto e, mais recentemente, a liderança de projetos globais de desenvolvimento de veículos.

Esse trânsito entre funções deu a ela uma visão que poucos executivos acumulam: a de quem entende números, estratégia, produto e execução, tudo ao mesmo tempo. “Ter passado por áreas tão diferentes me deu uma visão 360° do negócio”, afirma.

Essa bagagem foi decisiva para assumir posições internacionais. Na Suíça, liderou equipes europeias em projetos futuros. Na Coreia do Sul, chegou ao cargo de vice-presidente, comandando times locais e também equipes na China, em um dos contextos culturais mais desafiadores de sua carreira.

Europa, vulnerabilidade e confiança

Na Europa, Rosana era mais jovem do que a maioria dos líderes e precisou aprender que autoridade não nasce da rigidez, mas da confiança construída no dia a dia.

Foi nesse contexto que a vulnerabilidade ganhou espaço como ferramenta de liderança. Admitir dúvidas, ouvir mais e se mostrar humana ajudou a criar conexões reais. “A confiança é a base de tudo”, resume.

Essa combinação — firmeza estratégica com abertura emocional — passou a definir seu estilo de liderança nos anos seguintes.

O que a Ásia ensinou sobre liderança

Chegar à Coreia do Sul em plena pandemia, em 2021, foi um choque. A barreira cultural, a escassez de mulheres em cargos de liderança e a centralidade da confiança nas relações profissionais exigiram um reposicionamento profundo do estilo de gestão.

Na Ásia, Rosana percebeu que comunicação não é apenas o que se diz, é, sobretudo, o que o outro escuta. A escuta ativa, a leitura de linguagem corporal e a atenção ao que não é dito tornaram-se ferramentas essenciais.

Outro aprendizado veio do valor do coletivo.

Projetos são conduzidos com excelência não por vaidade, mas por honra — um conceito profundamente enraizado na cultura asiática.

Diversidade além do discurso

Apesar de ter construído a carreira em um setor historicamente masculino, Rosana evita narrativas vitimistas. Para ela, diversidade relevante é diversidade de pensamento.

“Quando você cria ambientes onde diferentes visões podem coexistir, a riqueza do debate cresce”, afirma. Mentorias — tanto recebidas quanto oferecidas — tiveram papel central nesse processo, ajudando-a a entender o próprio potencial e a importância de apoiar outras lideranças femininas.

Do corporativo ao conselho

Após deixar a GM, Rosana decidiu dar um passo além e migrar do mundo executivo para o universo de conselhos, consultoria e mentoria. O retorno ao Brasil trouxe um choque de realidade — mas também oportunidades.

“O Advanced Boardroom Program for Women (ABP-W), da Saint Paul, ampliou de forma muito prática e atual minha visão sobre o papel do conselho no mercado brasileiro, justamente em um momento em que as empresas precisam de lideranças mais preparadas para lidar com a complexidade’, Rosana conta.

“Soma-se a isso a experiência única de aprender e trocar com mulheres incríveis, altamente preparadas e inspiradoras”, ela complementa.

Rosana Herbst

Hoje, ela atua em três frentes: consultoria estratégica, mentoria de líderes e empreendedorismo. Um conceito guia essa nova fase: o da liderança antifrágil — aquela que não apenas resiste às crises, mas se transforma a partir delas.

Em um mundo de incertezas, essa capacidade se tornou um diferencial competitivo.

O futuro exige líderes mais humanos

Ao olhar para os próximos anos, Rosana evita projeções pessoais. Prefere pensar em contextos. Em um cenário marcado por inteligência artificial, ambiguidade e mudanças aceleradas, ela acredita que líderes centrados em sua essência terão mais chances de prosperar.

Escuta ativa, empatia, adaptabilidade e coragem para decidir continuam sendo, na sua visão, competências insubstituíveis — independentemente da tecnologia disponível.

“No final, tudo continua sendo sobre pessoas”, conclui.

Liderar em ambientes complexos, multiculturais e de alta pressão exige mais do que cargo: pede visão estratégica, escuta ativa e capacidade de decisão. É esse repertório que o Advanced Boardroom Program for Women (ABP-W), da Saint Paul, desenvolve em mulheres que querem atuar em conselhos e posições de alta liderança. As inscrições estão abertas, conheça o ABP-W e avance para o próximo nível da sua trajetória.

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