Lua, que nada: a SpaceX quer ir à bolsa — e pode reescrever a história dos IPOs

Por Tamires Vitorio 26 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Lua, que nada: a SpaceX quer ir à bolsa — e pode reescrever a história dos IPOs

Foguetes, satélites e missões à Lua continuam no plano. Mas, agora, o próximo lançamento da SpaceX pode acontecer em Wall Street. A empresa de Elon Musk se aproxima de uma oferta inicial pública (IPO) que, pelos números em discussão, tem potencial para redefinir o tamanho das aberturas de capital no mundo.

Relatos recentes indicam que um pedido formal pode ser protocolado ainda nos próximos dias. A estimativa mais agressiva aponta para uma captação superior a US$ 75 bilhões, com uma possível listagem em 2026.

Se confirmados, os valores colocam a operação em rota direta para superar o recorde histórico da Saudi Aramco, que levantou cerca de US$ 29 bilhões em 2019.

Um IPO que deixou de ser hipótese

Durante anos, Musk resistiu à ideia de abrir o capital da SpaceX. O argumento central era a incompatibilidade entre a pressão por resultados trimestrais e projetos de longo prazo, como Starship e colonização de Marte.

Esse posicionamento mudou a partir de 2025. O crescimento da Starlink, a expansão para novos mercados e a necessidade de capital intensivo para infraestrutura — incluindo projetos ligados à inteligência artificial — aceleraram a preparação para o IPO.

O avanço mais recente indica uma mudança da fase de planejamento para a de execução. O protocolo junto à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês), ainda que confidencial, marca o início formal do processo.

O tamanho da ambição

As estimativas de mercado convergem para um valuation entre US$ 1,5 trilhão e US$ 1,75 trilhão.

Em paralelo, os valores de captação variam. Projeções iniciais falavam em mais de US$ 30 bilhões. Cenários mais recentes elevam esse número para algo entre US$ 50 bilhões e mais de US$ 75 bilhões.

A variação reflete incertezas sobre o percentual de ações ofertadas. Uma operação desse porte pode envolver apenas uma pequena fração da empresa, mantendo controle concentrado e maximizando o valor total.

Mais que foguetes: o papel da Starlink

A análise de mercado aponta que o IPO não é apenas sobre lançamentos espaciais. O principal vetor de receita é a Starlink, serviço global de internet via satélite.

Dados indicam que a divisão já representa a maior parte da receita da empresa e pode chegar a cerca de três quartos do total nos próximos anos.

O modelo combina receita recorrente, expansão global e aplicações em múltiplos segmentos, como aviação, setor marítimo e governos. Esse perfil aproxima a operação de uma empresa de telecomunicações com escala global.

Capital para sustentar expansão

O IPO também é visto como instrumento para financiar projetos de alto custo.

Entre os principais destinos do capital estão a expansão da constelação de satélites, o desenvolvimento do Starship e iniciativas ligadas a data centers e inteligência artificial.

A integração com a xAI reforça esse direcionamento. A combinação de infraestrutura espacial e processamento de dados amplia o escopo da empresa para além do setor aeroespacial.

Reação antecipada do mercado

Mesmo antes da abertura formal, o mercado já reage.

Empresas com participação na SpaceX registraram alta após os relatos sobre o IPO. A EchoStar subiu mais de 6%, enquanto a Alphabet avançou mais de 1%.

Outras companhias do setor espacial também tiveram valorização, refletindo o efeito indireto da operação sobre o ecossistema.

Riscos e incertezas ainda no radar

Apesar do avanço, o IPO não está garantido.

A própria empresa sinalizou internamente que o cronograma depende de condições de mercado e execução. Questões como valuation final, estrutura de governança e percentual de ações ofertadas permanecem indefinidas.

Há também riscos operacionais. Projetos como o Starship e novas aplicações da Starlink envolvem alto investimento e ainda estão em fase de desenvolvimento.

O IPO da SpaceX reúne características incomuns: escala trilionária, múltiplos negócios e forte dependência de execução futura. Além de, é claro, uma capacidade espacial.

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