Lucro da Nike cai 35% no trimestre, para US$ 520 milhões, diante da alta das tarifas
A Nike superou as expectativas de lucro e receita no terceiro trimestre fiscal, mas apresentou desempenho desigual em seus principais mercados regionais, segundo resultados divulgados nesta terça-feira, 31.
Na América do Norte, principal mercado da companhia, a receita avançou 3%, alcançando US$ 5,03 bilhões, abaixo da projeção de US$ 5,04 bilhões, de acordo com estimativas da consultoria StreetAccount. Já na China, a receita recuou 7%, para US$ 1,62 bilhão, apesar de superar as previsões de analistas.
O lucro líquido foi de US$ 520 milhões no trimestre encerrado em 28 de fevereiro, marcando uma queda de 35% em relação ao mesmo período do ano anterior. A retração foi associada à redução de 1,3 ponto percentual na margem bruta, para 40,2%, impactada principalmente pelo aumento de tarifas na América do Norte.
A receita total permaneceu praticamente estável na comparação anual, passando de US$ 11,27 bilhões para US$ 11,28 bilhões.
Após a divulgação dos resultados, as ações da empresa registraram queda de 3% no pregão estendido. O desempenho ocorre mesmo com a Nike superando as estimativas consolidadas de mercado, o que mantém dúvidas sobre o ritmo de recuperação.
No consolidado, a empresa reportou lucro por ação de US$ 0,35, acima da projeção de US$ 0,28, e receita de US$ 11,28 bilhões, frente aos US$ 11,24 bilhões esperados por analistas consultados pela London Stock Exchange Group (LSEG).
Em constante evolução
A companhia de artigos esportivos segue em processo de reestruturação sob a liderança do CEO Elliott Hill, que assumiu o cargo há cerca de um ano e meio. Segundo o executivo, o ritmo de evolução varia entre as áreas do negócio.
"As áreas que priorizamos inicialmente continuam impulsionando o crescimento", disse Hill. "O trabalho não está concluído, mas a direção é clara, nossas equipes estão trabalhando com foco e urgência, e nossa base está se fortalecendo ainda mais para construir o futuro da Nike."
O CFO Matt Friend afirmou que os efeitos da reestruturação devem continuar impactando os resultados ao longo do ano fiscal.
Estratégia comercial
A Nike tem direcionado esforços para fortalecer o canal de atacado, cuja receita cresceu 5%, totalizando US$ 6,5 bilhões. Em sentido oposto, as vendas diretas ao consumidor recuaram 4%, somando US$ 4,5 bilhões.
O ambiente macroeconômico também influencia o desempenho. A companhia enfrenta impactos de tensões comerciais globais e da elevação de custos, que afetam o consumo. O aumento dos preços de energia e pressões inflacionárias pode reduzir a demanda por itens considerados não essenciais, como vestuário e calçados.
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