Lucro das empresas do S&P 500 cresce dois dígitos por seis trimestres seguidos

Por Clara Assunção 24 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Lucro das empresas do S&P 500 cresce dois dígitos por seis trimestres seguidos

O S&P 500 viveu em abril um dos momentos mais fortes de sua história recente. Mesmo diante de um cenário marcado por tensões geopolíticas, petróleo em alta e reprecificação dos juros nos Estados Unidos, o principal índice acionário americano avançou 10,4% no mês passado, o quarto melhor desempenho para abril desde 1928, segundo relatório do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME).

De acordo com o banco, o movimento de um dos principais índices do mercado acionário americano foi sustentado principalmente pelos resultados corporativos, especialmente das gigantes de tecnologia, as chamadas Sete Magníficas.

Com mais de 92% das empresas do índice já tendo divulgado seus balanços do 1° trimestre de 2026, a temporada mostrou um crescimento de lucro muito acima das expectativas do mercado.

O BTG aponta que as empresas do S&P 500 registraram surpresa positiva de 16,3% no lucro líquido em relação às projeções do consenso, bem acima da média histórica de 6,5%. Já a receita líquida surpreendeu apenas 2%, sinalizando que o principal motor do avanço dos resultados tem sido a alavancagem operacional das empresas, sobretudo nos setores de tecnologia e comunicação.

"O 1T26 também marca a sexta temporada consecutiva de crescimento de dois dígitos do lucro líquido do S&P 500, sustentada principalmente pelos setores de tecnologia e comunicação", afirmou o analista Marcel Zambello.

Na comparação anual, o lucro líquido agregado do índice cresceu 27,5%, enquanto a receita avançou 11,1%. Segundo o banco, o ambiente continua favorável para ativos de risco graças ao forte ciclo de investimentos em infraestrutura de inteligência artificial liderado pelos hyperscalers, como Alphabet, Amazon, Microsoft, Meta Platforms e Oracle.

O relatório destaca que os setores de tecnologia e comunicação já representam aproximadamente 48% do valor de mercado do S&P 500 e possuem margens estruturalmente superiores à média do índice, o que amplia a capacidade de geração de lucros consolidada.

A inteligência artificial aparece como o principal eixo dessa expansão. "O dado mais relevante desta temporada não é o resultado isolado de nenhuma empresa específica, mas sim a consistência com que a demanda por infraestrutura de inteligência artificial se traduziu em surpresas de lucro ao longo de toda a cadeia produtiva", afirmou Zambello.

Segundo o analista do banco, o ciclo de investimentos em IA já beneficia desde fabricantes de chips e equipamentos até empresas de software corporativo, infraestrutura elétrica e data centers.

Alphabet e Amazon são os destaques do 1t26

Entre as chamadas "Sete Magníficas", grupo formado por Apple, Microsoft, Meta, Google, Amazon, Nvidia e Tesla, o BTG aponta Alphabet e Amazon como os principais destaques da temporada.

No caso da Alphabet, o banco destacou a "resiliência de Search" e a forte aceleração do Google Cloud, cuja receita cresceu 63% na comparação anual, além dos efeitos positivos relacionados a participações em empresas não listadas. A companhia reportou receita de US$ 109,9 bilhões e lucro por ação de US$ 5,11.

Já a Amazon reforçou a tese estrutural de crescimento em cloud computing. A AWS avançou 28% no trimestre, registrando a maior expansão em 15 trimestres. A receita líquida da empresa somou US$ 181,5 bilhões, acima das expectativas do mercado.

A temporada também trouxe resultados robustos para Nvidia, que segue no centro da corrida da inteligência artificial. A companhia reportou receita de US$ 81,6 bilhões, alta de 85% em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente pela divisão de Data Center, cuja receita avançou 92%.

A Microsoft também apresentou números fortes, com crescimento de 40% do Azure, enquanto a Meta Platforms elevou novamente seu guidance de investimentos em infraestrutura de IA para até US$ 145 bilhões em 2026.

Apesar do forte crescimento, o BTG avalia que o movimento atual do mercado é sustentado mais pela expansão dos lucros do que por uma simples valorização excessiva das ações. "Lucros, e não expansão de múltiplos, seguem impulsionando o S&P 500", diz o relatório.

Balanços mostram resiliência da economia americana

O consenso de mercado projeta crescimento de 22% no lucro líquido do S&P 500 em 2026 e de 14,3% em 2027. Ao mesmo tempo, os hyperscalers devem investir mais de US$ 750 bilhões em capex em 2026, um crescimento superior a 80% na comparação anual.

Para o BTG, isso mostra que o mercado atravessa "um ciclo de investimentos corporativos significativamente elevados, impulsionado principalmente pela temática de inteligência artificial".

Mesmo em um ambiente macroeconômico mais complexo, os resultados reforçaram a percepção de resiliência da economia americana. O setor de consumo discricionário foi um dos destaques positivos da temporada, com surpresa de lucro de 40,8%, em um cenário de expectativas reduzidas.

"O consumidor americano continua resiliente, sustentado por uma relação entre patrimônio líquido e renda anual próxima de 8x, perto das máximas históricas, além de baixos níveis de alavancagem das famílias", afirmou o analista Marcel Zambello.

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