Lucro do Nubank cresce 41% no 1º tri e receita ultrapassa US$ 5 bilhões
O Nubank encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de US$ 871 milhões, crescimento anual de 41% em base FX neutro — métrica que elimina o efeito da variação cambial entre o real e o dólar e reflete o desempenho operacional puro do negócio.
O lucro líquido ajustado, que inclui despesas não-caixa e remuneração em ações pagas a executivos e funcionários, ficou em US$ 937 milhões no trimestre, alta anual de 54% .
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) encerrou o trimestre em 29%, dois pontos percentuais acima dos 27% registrados no 1T25.
Em relação ao quarto trimestre, quando o indicador estava em 33%, houve uma queda atribuída à sazonalidade do começo do ano, quando provisões sobem por conta do comportamento histórico de inadimplência de curto prazo nesse período do ano.
O estoque de provisões encerrou o trimestre em US$ 6,1 bilhões, alta de US$ 799 milhões em relação ao final de 2025. A maior parte do aumento veio do crescimento orgânico da carteira, que demanda provisões adicionais proporcionais e, em menor medida, pela expansão para segmentos de maior risco.
Receita acima de US$ 5 bi
A receita total consolidada atingiu US$ 5,32 bilhões no primeiro trimestre, crescimento anual de 42%. É a primeira vez na história da companhia que a linha ultrapassa a marca de US$ 5 bilhões em um único trimestre.
A receita de crédito foi a maior contribuição individual, somando US$ 3,17 bilhões, alta de 60% na comparação anual. A receita de float, gerada pela diferença entre o que o banco paga aos depositantes e o que rende ao aplicar esses recursos em ativos financeiros, alcançou US$ 1,38 bilhão, crescimento de 57%. Já a receita de tarifas — que inclui artões, comissões de seguros e serviços de investimento — totalizou US$ 759 milhões, avanço de 47%.
O ARPAC, métrica que mede a receita média mensal gerada por cada cliente ativo, chegou a US$ 15,9 no primeiro trimestre, crescimento de 23%. O crescimento reflete tanto o aumento no número de produtos por cliente quanto a maturação da base: clientes que estão há mais tempo na plataforma tendem a usar mais serviços, o que eleva a receita gerada por cada um deles.
Base de clientes supera 135 milhões globalmente
O Nubank encerrou março de 2026 com 135,2 milhões de clientes, crescimento anual de 14%. Foram adicionados aproximadamente 4 milhões de novos clientes apenas no primeiro trimestre. A taxa de atividade mensal — proporção de clientes que geraram alguma receita nos últimos 30 dias — ficou em 83,4%, praticamente estável na comparação anual.
No Brasil, o banco ultrapassou a marca de 115 milhões de clientes. A operação brasileira se aproxima de 100 milhões de clientes ativos mensais. No México, o Nubank cruzou os 15 milhões de clientes e se tornou a terceira maior instituição financeira do país. Na Colômbia, a operação se aproxima de 5 milhões de clientes.
Custos sob controle, eficiência em novo recorde
O índice de eficiência operacional — que mede quanto o banco gasta para cada real de receita líquida gerada, e que quanto menor melhor — caiu para 17,6%, contra 21,4% no primeiro trimestre de 2025. É o menor nível já registrado pelo banco, diz o Nubank. Em termos absolutos, as despesas operacionais (Opex) somaram US$ 648 milhões no trimestre, alta nominal de 41%. O crescimento da receita, de 42%, foi ligeiramente superior, o que explica a melhora do índice.
O custo de servir por cliente ativo ficou em US$ 1,00 por mês, ante US$ 0,70 no 1T25. O aumento reflete em parte o crescimento da base e os custos de suporte ao cliente, mas segue em patamar muito abaixo da média da indústria bancária tradicional, afirma o Nubank. O banco reportou ter gerado US$ 15,9 de receita para cada US$ 1,00 de custo de servir no trimestre.
Carteira de crédito avança 40% e já supera US$ 37 bilhões
A carteira total de crédito, somando cartões e empréstimos, encerrou o trimestre em US$ 37,2 bilhões, expansão de 40% sobre os US$ 24,1 bilhões de um ano antes. O crescimento trimestral foi de 7%.
O cartão de crédito segue como o maior produto, com carteira de US$ 24,3 bilhões e crescimento de 36% no ano. Os empréstimos sem garantia — crédito pessoal, financiamentos e antecipação — atingiram US$ 9,9 bilhões, alta de 53%, a linha de maior crescimento relativo. O crédito com garantia (consignado público e privado, INSS e FGTS) somou US$ 3,0 bilhões, avanço de 38%.
Os depósitos totais chegaram a US$ 42,4 bilhões, crescimento de 22% na base anual, com custo de captação equivalente a 88% da taxa interbancária.
Inadimplência sobe no curto prazo, mas qualidade de crédito se mantém
O índice de inadimplência de curto prazo — NPL de 15 a 90 dias — subiu para 5% no trimestre, avanço de 0,9 ponto percentual em relação ao final de 2025. Historicamente, o primeiro trimestre concentra mais atrasos iniciais de pagamento, padrão que se repetiu nos dois anos anteriores na mesma magnitude.
Já o NPL de longo prazo — crédito vencido há mais de 90 dias — caiu levemente, de 6,6% para 6,5%. O indicador está bem abaixo do pico de 7% registrado no terceiro trimestre de 2024.
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