Lucro trimestral da Microsoft cresce 23% para US$ 31,8 bi e vem acima do esperado

Por Mitchel Diniz 30 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Lucro trimestral da Microsoft cresce 23% para US$ 31,8 bi e vem acima do esperado

A Microsoft encerrou o terceiro trimestre do ano fiscal de 2026 (janeiro a março deste ano) com lucro líquido de US$ 31,8 bilhões, alta de 23% em relação ao mesmo período do ano anterior. O número inclui efeitos não recorrentes e o retorno do investimento da companhia na OpenAI, dona do ChatGPT. O crescimento foi impulsionado pela nuvem e pelos serviços de inteligência artificial.

O lucro por ação diluído foi de US$ 4,27, avanço de 23% sobre os US$ 3,46 registrados no terceiro trimestre de 2025. O resultado veio acima do consenso do mercado, que esperava o valor de US$ 4,06.

A receita total somou US$ 82,9 bilhões, crescimento de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior, ou 15% em moeda constante, também superando as estimativas. A empresa opera em três segmentos: Produtividade e Processos de Negócios (US$ 35,0 bilhões, +17%), Nuvem Inteligente (US$ 34,7 bilhões, +30%) e Computação Pessoal (US$ 13,2 bilhões, -1%).

O principal motor do trimestre foi a Nuvem Inteligente, impulsionada pelo Azure, cujas receitas cresceram 40%. O segmento de Produtividade também avançou com força, sustentado pelo Microsoft 365 e pelo Copilot, que já ultrapassa 20 milhões de assentos pagos. A receita agregada de nuvem da Microsoft, métrica que consolida as receitas de serviços em nuvem dos três segmentos, atingiu US$ 54,5 bilhões, alta de 29%.

O único segmento que recuou foi o de Computação Pessoal, com queda de 1%, pressionado pela retração em hardware e jogos. O Xbox caiu 5% e o Windows OEM e Dispositivos, 2%. A publicidade no Bing avançou 12% e foi o único destaque positivo do segmento.

O custo de receita avançou 22%, ritmo superior ao crescimento da receita de 18%, e pressionou a margem bruta em 1 ponto percentual, para 68%. A aceleração reflete os investimentos em infraestrutura de nuvem e inteligência artificial, que encarecem a entrega dos serviços antes de gerar retorno proporcional.

As despesas operacionais, por outro lado, cresceram apenas 9%, bem abaixo da receita, o que compensou a pressão no custo de receita e permitiu à margem operacional avançar 1 ponto percentual, para 46%. No agregado, os custos totais da companhia cresceram 17%, abaixo dos 18% de expansão da receita.

O capex total, incluindo ativos adquiridos por meio de arrendamentos financeiros, foi de US$ 31,9 bilhões no trimestre, alta de 49% na comparação anual.

Cerca de dois terços do investimento foram destinados a ativos de vida curta, principalmente GPUs e CPUs, para suportar a demanda pelo Azure, aplicações de inteligência artificial e o ciclo de P&D. O terço restante foi alocado em infraestrutura de longa duração, como os próprios data centers, cuja vida útil estimada se estende pelos próximos 15 anos ou mais.

A dívida bruta da Microsoft encerrou o trimestre em US$ 40,3 bilhões, queda de 7% em relação aos US$ 43,2 bilhões registrados em junho de 2025. Com caixa e investimentos de curto prazo de US$ 78,3 bilhões, a empresa mantém uma posição de caixa líquido positivo de US$ 38,0 bilhões.

O fluxo de caixa operacional de US$ 46,7 bilhões no trimestre corresponde a 1,2 vez a dívida bruta total, o que indica capacidade folgada de cobertura. A redução do caixa líquido em relação a junho de 2025, quando era de US$ 51,4 bilhões, reflete a intensidade do ciclo de investimentos em infraestrutura.

A ação da empresa cai mais de 2% no after hours após a divulgação do balanço.

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