Lula anuncia investimentos de R$ 72,5 bi da Petrobras no Sergipe
A Petrobras anunciou nesta sexta-feira, 29, investimentos de R$ 72,5 bilhões em Sergipe. De acordo com a estatal, o novo aporte consolida o desenvolvimento do Sergipe Águas Profundas (SEAP), uma nova fronteira de produção de óleo e gás no país.
"Nosso histórico tem sido de crescimento, crescimento real, crescimento importante e crescimento contínuo; plano de negócios prevê investir no quinquênio US$ 109 bilhões; em Sergipe, R$ 60 bilhões de reais", afirmou a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, em evento desta sexta-feira no estado nordestino.
"Quero dizer pra vocês que nós temos trabalhado muito pra aumentar a produção de petróleo no Brasil e pra estar onde nós estamos."
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, também participou do anúncio e defendeu a estratégia política de seu atual mandato.
"Quando fui candidato na última eleição, eu tinha como objetivo tentar trazer o Brasil de volta à civilidade política; já disputei com grandes caciques políticos", afirmou o petista. "A gente encontrava com o adversário num restaurante, a gente não ficava xingando, a gente ia lá cumprimentar; Hoje a política não está assim; hoje a política está de ódio. Quero explicar para vocês por que eu estou começando a falar sobre isso; até o dia 3 de julho eu sou presidente da República, não candidato."
A petrolífera afirma que os investimentos serão responsáveis pela geração de 28 mil empregos diretos e indiretos. O evento contará com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado de Magda Chambriard, presidente da Petrobras e demais autoridades. O descomissionamento de plataformas e o retorno da Fábrica de Fertilizantes e Nitrogenados de Sergipe (Fafen-SE) também fazem parte da pauta.
O impacto esperado na matriz energética regional é significativo. A participação do Nordeste na oferta nacional de gás natural deve dobrar, passando dos atuais 16% para 31% até 2035, segundo a Agência Brasil.
Duas plataformas inéditas e um gasoduto de 134 km
O núcleo do pacote de investimentos são as plataformas P-81 e P-87, que integrarão os projetos SEAP I e SEAP II, respectivamente.
SEAP: núcleo do pacote de investimentos são as plataformas P-81 e P-87, além de longos dutos (Petrobras / Divulgação)
Juntas, elas terão capacidade instalada para produzir até 240 mil barris de óleo por dia e processar 22 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, segundo a Petrobras. O início da produção de óleo está previsto para 2030, com exportação de gás a partir de 2031.
A construtora SBM Offshore venceu a licitação e ficará responsável pela construção e operação das duas unidades por seis anos e meio, sob o modelo BOT (Build, Operate and Transfer), no qual a empresa constrói, opera e depois transfere os ativos à Petrobras.
A assinatura dos contratos estava prevista para maio de 2026, após aprovações de governança e dos parceiros. As plataformas são inéditas por contarem, cada uma, com uma Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) embarcada, segundo Chambriard afirmou em comunicado da empresa.
Dos 22 milhões de metros cúbicos de gás produzidos diariamente, 18 milhões serão destinados à costa por um gasoduto de escoamento com cerca de 134 km de extensão.
O projeto prevê ainda a construção e interligação de 32 poços.
Os investimentos totais nos dois módulos superam R$ 60 bilhões e a produção estimada chega a mais de 1 bilhão de barris de óleo equivalente (boe).
A decisão final de investimentos do SEAP I foi aprovada em abril de 2026. A do SEAP II havia sido aprovada em dezembro de 2025.
Fertilizantes e descomissionamento completam o pacote
Além das plataformas, o evento em Sergipe marcará a reabertura da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen-SE), no município de Laranjeiras.
A unidade terá produção estimada em 7% dos fertilizantes nitrogenados demandados pelo Brasil. Somada às fábricas de Mato Grosso do Sul, Paraná e Bahia, a expectativa é que o país passe a produzir 35% do que precisa nessa categoria de insumo.
O presidente Lula tem reforçado a necessidade de reduzir a dependência externa. "O Brasil não pode ser importador de 90% do fertilizante que a nossa agricultura precisa. O Brasil precisa ser dono do seu nariz e produzir os fertilizantes", disse o presidente em visita à Fafen de Camaçari, na Bahia neste mês.
O terceiro eixo do pacote é o descomissionamento de 26 plataformas em águas rasas que operam há mais de 50 anos e estão encerrando seus ciclos de vida, conforme explicou Chambriard à Agência Brasil. A presidente da Petrobras ressaltou que o processo de desconexão é também um compromisso ambiental da companhia.
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