Lula critica o retorno do protecionismo e do unilateralismo na cúpula do G7
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira, 16, durante a cúpula do G7, que o avanço de medidas protecionistas e ações unilaterais tem ampliado a distância entre países desenvolvidos e economias emergentes.
Em discurso realizado em Évian, na França, Lula declarou que "O protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas".
A declaração foi registrada na transcrição divulgada pela Presidência da República e foi interpretada como uma referência ao governo de Donald Trump.
Segundo o presidente brasileiro, a diferença entre o nível de prosperidade das economias mais ricas e as condições enfrentadas pela população do Sul Global se ampliou nos últimos anos. Para ele, esse cenário está relacionado a políticas que favoreceram a concentração de renda.
Lula também associou o neoliberalismo ao agravamento das desigualdades econômicas e às crises políticas observadas em diversas democracias ao redor do mundo.
Desafios políticos no enfrentamento das mudanças climáticas
Ao abordar a agenda ambiental, o presidente afirmou que os recursos destinados ao desenvolvimento sustentável e às ações de combate às mudanças climáticas permanecem insuficientes. De acordo com ele, a execução mais rápida dos compromissos previstos no Acordo de Paris exige que o financiamento climático alcance ao menos US$ 1,3 trilhão por ano.
O presidente ainda citou a redução da assistência internacional ao desenvolvimento, que recuou 23% no último ano. Ele mencionou também os cortes de recursos destinados a organismos multilaterais como o Programa Mundial de Alimentos (PMA), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
"Os desafios se multiplicam, mas a solidariedade internacional encolhe”, criticou.
Durante a participação no encontro, Lula destacou que os conflitos armados continuam consumindo recursos que poderiam ser direcionados ao desenvolvimento. Nesse contexto, lembrou que os gastos militares globais somam cerca de US$ 3 trilhões anuais.
O presidente defendeu mudanças na estrutura financeira internacional para impedir que países em desenvolvimento sejam obrigados a optar entre o pagamento de dívidas externas e o financiamento de políticas essenciais para suas populações.
Entre as iniciativas brasileiras apresentadas no evento, Lula citou o fundo voltado ao financiamento de florestas tropicais e a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, criada com o objetivo de compartilhar experiências e estimular políticas públicas de redução das desigualdades.
Na área de segurança, o presidente defendeu o fortalecimento da cooperação internacional para combater o crime organizado, o narcotráfico, a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas. Ao mesmo tempo, ressaltou que "esse esforço deve levar em conta o respeito à soberania dos Estados".
O tema ganhou relevância após os Estados Unidos incluírem o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), as maiores facções criminosas do Brasil, na lista de organizações terroristas estrangeiras. A medida provocou discussões sobre os limites da cooperação internacional em segurança e sobre a atuação de governos estrangeiros em questões consideradas de interesse interno brasileiro.
*Com informações da agência EFE.
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