Lula critica o retorno do protecionismo e do unilateralismo na cúpula do G7

Por Mateus Omena 16 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Lula critica o retorno do protecionismo e do unilateralismo na cúpula do G7

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira, 16, durante a cúpula do G7, que o avanço de medidas protecionistas e ações unilaterais tem ampliado a distância entre países desenvolvidos e economias emergentes.

Em discurso realizado em Évian, na França, Lula declarou que "O protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas".

A declaração foi registrada na transcrição divulgada pela Presidência da República e foi interpretada como uma referência ao governo de Donald Trump.

Segundo o presidente brasileiro, a diferença entre o nível de prosperidade das economias mais ricas e as condições enfrentadas pela população do Sul Global se ampliou nos últimos anos. Para ele, esse cenário está relacionado a políticas que favoreceram a concentração de renda.

Lula também associou o neoliberalismo ao agravamento das desigualdades econômicas e às crises políticas observadas em diversas democracias ao redor do mundo.

Desafios políticos no enfrentamento das mudanças climáticas

Ao abordar a agenda ambiental, o presidente afirmou que os recursos destinados ao desenvolvimento sustentável e às ações de combate às mudanças climáticas permanecem insuficientes. De acordo com ele, a execução mais rápida dos compromissos previstos no Acordo de Paris exige que o financiamento climático alcance ao menos US$ 1,3 trilhão por ano.

O presidente ainda citou a redução da assistência internacional ao desenvolvimento, que recuou 23% no último ano. Ele mencionou também os cortes de recursos destinados a organismos multilaterais como o Programa Mundial de Alimentos (PMA), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

"Os desafios se multiplicam, mas a solidariedade internacional encolhe”, criticou.

Durante a participação no encontro, Lula destacou que os conflitos armados continuam consumindo recursos que poderiam ser direcionados ao desenvolvimento. Nesse contexto, lembrou que os gastos militares globais somam cerca de US$ 3 trilhões anuais.

O presidente defendeu mudanças na estrutura financeira internacional para impedir que países em desenvolvimento sejam obrigados a optar entre o pagamento de dívidas externas e o financiamento de políticas essenciais para suas populações.

Entre as iniciativas brasileiras apresentadas no evento, Lula citou o fundo voltado ao financiamento de florestas tropicais e a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, criada com o objetivo de compartilhar experiências e estimular políticas públicas de redução das desigualdades.

Na área de segurança, o presidente defendeu o fortalecimento da cooperação internacional para combater o crime organizado, o narcotráfico, a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas. Ao mesmo tempo, ressaltou que "esse esforço deve levar em conta o respeito à soberania dos Estados".

O tema ganhou relevância após os Estados Unidos incluírem o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), as maiores facções criminosas do Brasil, na lista de organizações terroristas estrangeiras. A medida provocou discussões sobre os limites da cooperação internacional em segurança e sobre a atuação de governos estrangeiros em questões consideradas de interesse interno brasileiro.

*Com informações da agência EFE.

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