Lula demonstra otimismo após encontro com Trump e ganha tempo em negociações

Por Rafael Balago 9 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Lula demonstra otimismo após encontro com Trump e ganha tempo em negociações

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu da reunião com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, com semblante animado. Embora a viagem tenha terminado sem anúncios concretos ou acordos fechados, Lula buscou ressaltar que os principais riscos envolvendo ações dos EUA contra o Brasil estariam controlados, ao menos por ora. Em destaque, estão o aumento de tarifas contra o Brasil e a designação do PCC e CV como organizações terroristas.

Lula disse que sugeriu a Trump criar grupos de trabalho entre os dois países para tratar das questões, especialmente das tarifas, e que o republicano não teria citado temas espinhosos, como as críticas ao Pix e as facções brasileiras.

"Eu falei assim: vamos fazer o seguinte, vamos colocar um grupo de trabalho e vamos permitir que esse moço, da indústria e comércio do Brasil, junto com o teu moço do comércio, sentem em 30 dias e apresente para nós uma proposta para a gente poder bater o martelo. Quem tiver errado vai ceder. Se a gente tiver que ceder, nós vamos ceder. Se vocês tiverem que ceder, vocês vão ter que ceder", disse Lula.

O presidente brasileiro disse que o Pix também não foi tratado na conversa. Autoridades americanas questionam o sistema brasileiro como uma possível concorrência desleal a empresas financeiras americanas. "Ele não tocou no assunto do Pix, então também não toquei", disse Lula.

Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, afirmou que o Brasil busca meios para encerrar a investigação feita por meio da Seção 301, que pode resultar em mais tarifas.

"Apresentamos todos os dados que desmentem a existência de uma relação comercial desarmoniosa entre os nossos países. Indicamos a necessidade de encerramento da [investigação via] Seção 301 e da abertura de uma discussão sobre as tarifas aplicadas ao Brasil e o não cabimento das medidas impostas aos produtos brasileiros", afirmou Rosa.

Rosa declarou ainda que ficou definido um novo encontro entre os dois países em até 30 dias, para tentar encerrar o processo relacionado à Seção 301.

Os presidentes Donald Trump e Lula., durante encontro na Casa Branca (Ricardo Stuckert/Flickr)

Sobre crime, Lula disse que a possibilidade de designação do PCC e CV como entidades terroristas não foi tratada na conversa e que o governo brasileiro falou sobre várias iniciativas no combate ao crime.

"A partir da semana que vem, vamos lançar um plano de combate ao crime organizado, que é para valer. Quem não escapou, não vai escapar mais", disse. "Eu disse que nós estamos dispostos a construir um grupo de trabalho com todos os países da América Latina para a gente criar um grupo forte de combate ao crime organizado."

O presidente descreveu diversas frentes de trabalho. "Uma delas é a questão financeira. Nós precisamos destruir o potencial financeiro do crime organizado e das facções. Elas viraram, em alguns casos, empresas multinacionais", afirmou.

Dario Durigan, ministro da Fazenda, disse que haverá avanços na cooperação em fiscalização nas fronteiras e no combate à lavagem de dinheiro entre os dois países.

"Além desse compartilhamento de informação, [estamos] acelerando os mecanismos para que esses recursos de brasileiros que sonegam, fazem lavagem de dinheiro no Brasil, sejam rapidamente devolvidos ao país", disse Durigan.

Terras raras

Sobre terras raras e minerais críticos, Lula disse que o Brasil está aberto a investimentos americanos, mas não detalhou novos passos concretos ou acordos com os EUA.

"Queremos fazer parceria, compartilhar com as empresas americanas, chinesas, alemãs, japonesas, francesas, ou seja, quem quiser participar conosco para ajudar a gente fazer a mineração, a separação e produzir a riqueza que a terra rara nos oferece. Isso é permitido pela regulamentação que foi feita na lei aprovada ontem, que deve ser aprovada hoje no Senado", afirmou.

"Não queremos ser meros exportadores dessas coisas. Nós não queremos repetir o que aconteceu com a prata na América Latina, com o ouro, sendo mandado para fora. Com a terra, a gente vai mudar de comportamento", afirmou.

Eleições no Brasil

O presidente brasileiro também informou que não tratou das eleições do Brasil na conversa, e que ele não vê risco de intervenção americana no pleito.

"Eu não acredito que ele vai ter qualquer influência nas eleições brasileiras. Até porque que voto é o povo brasileiro. Eu acho que ele vai se comportar como presidente dos Estados Unidos, deixando que o povo brasileiro decida o seu destino, como eu vou deixar que o povo americano decida seu destino", afirmou.

Temas internacionais

Lula disse que evitou tratar de forma mais intensa temas internacionais com Trump, como a guerra no Irã e as ações dos EUA na Venezuela e em Cuba.

O brasileiro disse que Trump considera a guerra no Irã já terminada e que a situação na Venezuela, alvo de uma invasão dos EUA em janeiro, está resolvida. O americano teria dito, ainda, que não pretende invadir Cuba.

O petista também buscou ressaltar uma boa relação com o republicano, e esperar que ela deva continuar.

"Eu diria uma relação que pouca gente acreditava que pudesse acontecer com tanta rapidez. Amor à primeira vista, aquele negócio da química... Isso que aconteceu. Eu espero que continue assim", disse.

Lula também buscou demonstrar que a reunião teve clima amistoso e que ele teria brincado com o americano. "Acho que foi uma reunião importante para o Brasil e importante para os Estados Unidos. Vocês perceberam que o presidente Trump rindo é melhor do que ele de cara feia. E eu fiz questão de que ele ria. Ele agora vai rir sempre. Ele aprendeu que rir é muito bom".

A reação de Trump

Do lado americano, Trump postou apenas uma mensagem na rede social Truth Social, em que chamou o brasileiro de "presidente muito dinâmico", e não deu entrevista coletiva.

"Acabei minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o muito dinâmico presidente do Brasil. Discutimos muitos tópicos, incluindo comércio e, especificamente, tarifas. A reunião foi muito produtiva. Nossos representantes têm reuniões agendadas para discutir alguns pontos-chave. Outras reuniões serão agendadas nos próximos meses, conforme necessário", disse Trump, em postagem na rede Truth Social.

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