Lula deseja reforçar segurança do Brasil diante de ameaças externas: 'qualquer dia alguém invade'

Por Mateus Omena 10 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Lula deseja reforçar segurança do Brasil diante de ameaças externas: 'qualquer dia alguém invade'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta segunda-feira, 9, que Brasil e África do Sul precisam discutir formas de reforçar sua preparação militar diante de possíveis ameaças externas.

A fala do chefe de Estado ocorreu durante a recepção ao presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, no Palácio do Planalto, onde avaliou o cenário geopolítico do Brasil e de outros países da América do Sul.

"Nós nos colocamos como uma região de paz, aqui ninguém tem bomba nuclear, aqui ninguém tem bomba atômica, aqui os nossos drones são para agricultura, para fins de tecnologia e não para guerra", enfatizou Lula.

E acrescentou: "Não sei se o companheiro Ramaphosa percebe que se a gente não se preparar em questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente. Essa é uma coisa que o Brasil tem necessidade similar à necessidade da África do Sul."

Durante o encontro, Lula também mencionou a intensificação do conflito no Oriente Médio, envolvendo o Irã, Israel e os Estados Unidos. Sem citar diretamente o presidente americano Unidos, Donald Trump, ele fez referência ao agravamento da crise após ataques conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel contra Teerã. Em janeiro, as Forças Armadas Americanas também participaram da invasão da Venezuela e da captura do líder chavista Nicolás Maduro.

Diante do momento de tensão global com a guerra no Irã e a alta do preço do petróleo, Lula reforçou a necessidade da diplomacia para resolver o conflito.

"O diálogo e a diplomacia constituem o único caminho viável para a construção de uma solução duradoura", declarou o presidente. "É importante lembrar que por conta da guerra no Irã o preço do combustível já está subindo em quase todo o mundo. O preço do petróleo está subindo muito e deve subir em todos os países do mundo."

Parceiros no Brics

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante declaração conjunta à imprensa, no Palácio do Planalto. Brasília - DF.

Foto: Ricardo Stuckert / PR (Ricardo Stuckert / PR/Divulgação)

O Brasil e a África do Sul têm parceria diplomática e econômica e ambos parte dos Brics, grupo que reúne países emergentes e que também inclui o Irã.

O país africano enfrentou recentemente uma tentativa de boicote no G20 por parte dos Estados Unidos. Os EUA assumiram a presidência do grupo neste ano, sucedendo à África do Sul, e decidiu não enviar representantes para a cúpula de 2026.

A decisão da Casa Branca foi justificada pela alegação de que o governo de Ramaphosa estaria promovendo um "genocídio branco", após a aprovação de uma lei que facilita a expropriação de propriedades rurais improdutivas. Segundo documentos judiciais, a medida também bloqueou uma herança destinada a uma organização classificada como supremacista branca.

No Palácio do Planalto, autoridades dos dois países assinaram atos e memorandos de cooperação voltados para comércio, turismo e indústria. Em seu discurso, Ramaphosa agradeceu o apoio do governo brasileiro diante das tensões envolvendo o G20.

O presidente sul-africano também criticou o aumento dos conflitos internacionais e defendeu um cessar-fogo no Oriente Médio.

"A nossa visita ao Brasil ocorre num momento de recrudescimento de conflitos e assim reiteramos nosso chamado para uma resolução pacífica das disputas que ora ocorrem violando a carta das nações unidas. e condenamos a perda de vidas, especialmente a de civis e a destruição da infraestrutura vital nessa parte do mundo", disse o presidente sul-africano.

Entenda a guerra no Oriente Médio

Estados Unidos e Israel iniciaram no sábado, 28, uma ofensiva aérea contra o Irã em meio a impasses relacionados ao programa nuclear do país. A ação ocorre em um cenário de tensão regional envolvendo instalações estratégicas e bases militares.

Após os ataques, Teerã anunciou retaliações contra países do Oriente Médio que abrigam bases norte-americanas, entre eles Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque. Os governos desses países passaram a relatar impactos diretos das ações militares em seus territórios.

No domingo, a mídia estatal iraniana informou que o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, foi uma das vítimas dos ataques conduzidos por forças americanas e israelenses.

Depois do anúncio da morte de Khamenei, o governo iraniano declarou que poderá lançar a "ofensiva mais pesada" de sua história. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país considera retaliar Israel e Estados Unidos um "direito e dever legítimo".

Em resposta, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu Teerã contra novas ações militares. "é melhor que eles não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista", declarou. Os confrontos entre as partes continuaram ao longo deste domingo, 1º de março.

SAIBA MAIS SOBRE A GUERRA NO IRÃ

*Com informações das agências EFE e AFP.

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