Lula diz que escreverá carta a Trump e vai à reunião do G7 para 'colocar ordem na casa'

Por Ivan Martínez-Vargas 3 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Lula diz que escreverá carta a Trump e vai à reunião do G7 para 'colocar ordem na casa'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta, 3, que decidiu ir à reunião de cúpula do G7, grupo que reúne as maiores economias do mundo, para "arrumar a casa" e defender o multilateralismo.

Lula fez o anúncio em discurso durante reunião ministerial que realiza após a recomendação pelo Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) para que o governo Trump imponha tarifa de 25% contra exportações brasileiras.

O presidente também disse que escreverá uma carta ao líder americano questionando as motivações para um novo tarifaço e que deverá publicar artigos em jornais internacionais para mostrar que os EUA estão "errados".

"Eu ainda vou mandar outra carta para o presidente Trump e vou escrever quantos artigos forem necessários na imprensa americana e na mundial para mostrar que eles estão errados, estão equivocados e estão induzindo o mundo a uma violência desnecessária, e todos eles sabem que, se tivermos um conflito mais sério em que for necessário utilizar armas nucleares, não estará ganhando de um país, estará destruindo o planeta Terra. E isso, o Brasil se colocará sempre contra. Para nós, ou é a paz ou não é nada", disse Lula.

Quanto ao encontro do G7, será realizado em Évian-les-Bains, na França, entre 15 e 17 de junho. Lula afirmou que não tinha a intenção de participar do encontro, mas mudou de ideia em meio ao anúncio de um possível novo tarifaço contra o Brasil.

"Eu nem ia ao G7, mas agora eu vou. Porque é preciso alguém tentar colocar ordem na casa e dar um paradeiro nessa coisa que está acontecendo: o desmonte do multilateralismo, da democracia e a desvalorização das instituições", afirmou o presidente, em alusão às ações do presidente americano, Donald Trump, contra o multilateralismo e a Organização das Nações Unidas (ONU).

"Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é fortalecendo. O que o Brasil está reivindicando há muito tempo? Que haja mais países membros do Conselho de Segurança da ONU como membros permanentes", ressaltou Lula.

O presidente brasileiro voltou a dizer que foi pego de surpresa pelo anúncio do USTR antes que expirasse o prazo de 30 dias de conversas entre as equipes técnicas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) do Brasil e a contraparte americana.

Lula disse a seus ministros, em fala transmitida nas redes sociais e em canais de televisão estatais, que o Brasil não vai "abaixar a cabeça" ante eventuais novas sanções econômicas por parte do governo americano.

"Esta reunião aqui é uma arrumação de discurso para todo o mundo. Ninguém tem que ter medo de nada. Porque a gente não vai abaixar a cabeça. A gente vai continuar fazendo aquilo que nós sabemos fazer, vamos continuar conversando com todo o mundo", disse Lula.

Na questão comercial, Lula voltou a dizer que, caso os Estados Unidos retomem o tarifaço, o Brasil vai buscar outros parceiros comerciais.

"Na questão comercial, é importante lembrar os companheiros que fazem comercialização: se os EUA querem problema, têm o direito de não querer. Agora, nós não vamos ficar chorando. Vamos procurar outros parceiros. Se eles não quiserem comprar, nós vamos achar quem quiser comprar; a gente não vai ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, vamos procurar outro. O que tem que saber é que o Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano. Quem quiser explorar minerais críticos vai ter que conversar com o governo brasileiro", disse Lula.

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