Lula explica ausência na Marcha para Jesus em SP: 'não quero proveito político'

Por Da redação, com agências 4 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Lula explica ausência na Marcha para Jesus em SP: 'não quero proveito político'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por não comparecer à 34ª Marcha para Jesus, realizada nesta quinta-feira de Corpus Christi, 4, em São Paulo. No entanto, o chefe do Executivo fez questão de enviar uma mensagem aos fiéis por meio de uma ligação telefônica intermediada pelo ministro da Advocacia-geral da União (AGU), Jorge Messias, que atuou como o representante oficial do Palácio do Planalto no ato.

Durante o telefonema — realizado enquanto governistas e opositores compartilhavam o mesmo trio elétrico —, Lula explicou que sua ausência é uma postura de neutralidade em ano de disputas eleitorais.

"Eu não participo de nada da religião em época de eleição, porque eu não quero passar a ideia de que estou tentando ter proveito político de uma coisa sagrada", declarou o presidente.

Na mesma conversa, Lula relembrou sua ligação histórica com o segmento, destacando o orgulho de ter sancionado, em setembro de 2009, a lei que instituiu oficialmente o Dia Nacional da Marcha para Jesus. Com o gesto deste ano, o petista encerra o seu terceiro mandato presidencial sem ter comparecido presencialmente a nenhuma edição da caminhada.

Discursos inflamados e 'guerra espiritual' no trio elétrico

Apesar dos pedidos expressos do organizador do evento, o apóstolo Estevam Hernandes, para que a marcha não fosse transformada em palanque político, o clima eleitoral ditou o ritmo das falas das autoridades da oposição.

O senador Flávio Bolsonaro utilizou o microfone do trio principal para inflamar o público, repetindo narrativas adotadas por seu pai na última campanha ao afirmar que o país vive uma "guerra espiritual" e que as forças do mal seriam expulsas do governo nas urnas em outubro.

Em contrapartida, Jorge Messias manteve um tom discreto e institucional, distanciando-se das provocações. Em entrevista concedida durante o trajeto, o ministro da AGU rebateu as falas da ala bolsonarista, ressaltando que o encontro de fiéis "não é dia de comício" e que a população saberá julgar as intenções de cada um.

Bastidores: Reencontro e "guerra fria" na direita

A Marcha para Jesus também serviu de cenário para o primeiro reencontro público entre Flávio Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. A relação entre os dois aliados enfrentou momentos de desgaste recente após uma operação da Polícia Civil paulista mirar uma sócia da produtora responsável pelo documentário "Dark Horse", obra cinematográfica que exalta a trajetória de Jair Bolsonaro.

A investigação apura possíveis irregularidades, desvios e sobrepreço em um contrato de R$ 157 milhões firmado pela prefeitura de São Paulo, gerida por Ricardo Nunes, para a instalação de pontos de wi-fi.

Postura de Tarcísio: O governador adotou um distanciamento estratégico para evitar que sua imagem fosse vinculada a denúncias de terceiros, defendendo publicamente a total autonomia da Polícia Civil para conduzir as investigações.

Foco no evento: Durante a caminhada, Tarcísio limitou-se a fazer um discurso curto de caráter religioso, declarando que o estado pertence ao Senhor Jesus Cristo.

Ricardo Nunes: O prefeito da capital também discursou de forma protocolar, evitando alimentar as polêmicas sobre o contrato sob investigação.

Teste de fogo político para Jorge Messias

Para o ministro da AGU, a caminhada representou o primeiro contato direto com as grandes lideranças religiosas após o Senado Federal barrar a sua indicação para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A derrota do governo no Congresso teve forte influência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Frequentador da Igreja Batista desde a infância, Messias conta com forte simpatia de bispos e parlamentares do segmento evangélico, inclusive de ministros do STF como André Mendonça — que também esteve na Marcha, mas preferiu não conceder entrevistas. Indagado sobre a possibilidade de Lula reenviar seu nome para a aprovação do Senado, o advogado-geral da União afirmou de forma serena que deixa o seu futuro nas mãos de Deus.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: