Lula não deve indicar outro nome após Senado rejeitar Messias ao STF, dizem aliados

Por Ivan Martínez-Vargas 30 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Lula não deve indicar outro nome após Senado rejeitar Messias ao STF, dizem aliados

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já havia sinalizado a aliados que não indicaria outro nome caso o Senado rejeitasse sua indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), como de fato ocorreu nesta quarta-feira, 29. O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU) conseguiu apenas 34 dos 41 votos favoráveis de que precisava; outros 42 senadores votaram contrariamente à indicação.

O relator da indicação na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, senador Weverton Rocha (PDT-MA), aliado do governo, afirmou na noite desta quarta-feira, 29, que Lula lhe disse que não vai mandar outro nome neste ano. Com isso, a indicação ficaria para o próximo mandato.

A rejeição do nome de Messias, fato inédito desde 1894, quando o Senado desaprovou cinco indicações feitas pelo então presidente Floriano Peixoto, é considerada por aliados uma derrota maiúscula de Lula e uma humilhação da articulação política, comandada há menos de um mês pelo ministro José Guimarães, ex-líder do governo na Câmara.

Líder do governo no Senado, o senador Jaques Wagner (PT-BA) deixou o Senado logo depois da derrota, em direção ao Palácio da Alvorada para conversar com o presidente. Ele evitou adjetivar o fracasso: disse, apenas, que "foi uma surpresa". Os cálculos de Weverton, Jaques Wagner e da Secretaria de Relações Institucionais eram de uma aprovação "raspando", com algo próximo dos 45 votos.

Instantes antes dos votos serem revelados, Alcolumbre avisou a Jaques que Messias iria "perder por oito" votos, precisamente a diferença registrada na votação. O áudio foi captado pela TV Senado. Em nota, a assessoria da presidência do Senado confirmou que o senador "deu sua opinião" e que isso "só reafirma e demonstra a experiência do presidente da Casa em votações".

A oposição bolsonarista, que comemorou a rejeição como se vitória eleitoral fosse, também rejeita a ideia de um novo nome ao STF ainda neste mandato.

Pela norma, o presidente poderia enviar ao Congresso um novo nome, mas a avaliação de parlamentares, tanto da base aliada quanto da oposição, é de que não há clima para a discussão.

Preocupa os aliados de Lula, agora, a crise sem precedentes na relação do governo com o Congresso que se estabelece diante da rejeição de Messias.

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