Lula ou Flávio? O impacto de cada vitória na economia, segundo Oxford
O resultado das eleições de 2026 pode redefinir o rumo da política econômica brasileira — seja pela continuidade do atual modelo sob Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seja por uma possível inflexão liberal em caso de vitória de um candidato de direita, como Flávio Bolsonaro (PL).
Um novo estudo da Oxford Economics, braço de análise global ligado à Universidade de Oxford, mapeia cenários possíveis para o Brasil e detalha como cada um deles pode afetar o ajuste fiscal, a credibilidade das contas públicas e a percepção de risco dos investidores.
Segundo o economista Felipe Camargo, autor do relatório publicado em 16 de fevereiro, os mercados já trabalham majoritariamente com um cenário de manutenção da atual gestão.
No cenário considerado base do estudo — com probabilidade superior a 50% — Lula venceria com uma plataforma de continuidade.
A análise aponta que a expectativa é de preservação das âncoras institucionais, com reformas pró-mercado limitadas. O ajuste fiscal ocorreria principalmente por meio do aumento de receitas e da diluição real das despesas via inflação, e não por contenção estrutural de gastos públicos.
"Prevemos que reformas favoráveis ao mercado sejam limitadas, mas as âncoras institucionais permaneceriam intactas", escreve Camargo. "O mercado parece, em sua maioria, já precificar esse resultado, embora possa haver um aumento na volatilidade próximo à eleição."
O relatório também traça um cenário adverso, com probabilidade estimada entre 20% e 30%, no qual Lula venceria com uma plataforma mais populista.
Nesse caso, a economia e os ativos brasileiros poderiam ter desempenho negativo. As políticas poderiam envolver aumentos agressivos do salário mínimo real, controle limitado de despesas e dependência de promessas de elevação de impostos sobre ganhos de capital.
"Isso poderia elevar as preocupações sobre a credibilidade fiscal e aumentar os prêmios de risco nos ativos brasileiros", diz Camargo.
Até o momento, Lula não deu indicativos de qual será a sua agenda econômica no próximo governo. Os futuros candidatos apresentarão o plano de governo a partir do registro da candidatura no Tribunal Superior Eleitoral.
Oposição aparece com menos chances, mas causaria melhor efeito no mercado
Por outro lado, o estudo considera um cenário alternativo, com probabilidade entre 10% e 20%, no qual um candidato de direita — como Flávio Bolsonaro — venceria um segundo turno apertado contra Lula.
Nesse caso, segundo a análise da Oxford Economics, os mercados tenderiam a reagir positivamente de "imediato", diante da expectativa de um ajuste fiscal baseado em controle de despesas e promessas de cortes de impostos.
Ainda assim, o relatório alerta que os riscos de execução no médio prazo permaneceriam, que passariam pela articulação do novo governo com o Congresso.
"Embora esse cenário pudesse melhorar o sentimento e a precificação de risco no curto prazo, os riscos de execução no médio prazo persistiriam", analisa Camargo no documento.
Em agendas recentes com representantes do mercado financeiro, Flávio Bolsonaro mencionou a possibilidade de um “tesouraço” fiscal, redução da carga tributária, enxugamento da máquina pública e retomada de privatizações, mas sem detalhar propostas específicas.
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