Lula propõe cooperação com os EUA para 'colocar os magnatas da corrupção na cadeia'

Por Luciano Pádua 22 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Lula propõe cooperação com os EUA para 'colocar os magnatas da corrupção na cadeia'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo, 22, que pretende aprofundar, durante encontro que terá em março com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a cooperação com o país no combate ao crime organizado internacional e defendeu que os “magnatas” da corrupção sejam presos, inclusive aqueles que vivem em áreas nobres do Brasil e do exterior.

Durante coletiva de imprensa após visita de Estado na Índia, Lula afirmou que o Brasil criou estruturas específicas de combate ao crime organizado na fronteira amazônica e que está disposto a atuar em conjunto com os EUA contra narcotráfico, tráfico de armas e lavagem de dinheiro.

“Eu disse ao presidente [Trump] que estamos dispostos a trabalhar com os Estados Unidos no combate ao narcotráfico, no tráfico de armas, na lavagem de dinheiro", afirmou. "Qualquer coisa que puder colocar os magnatas da corrupção na cadeia, eu estou disposto a trabalhar.”

Segundo Lula, "esses magnatas não moram na favela".

"Eles moram em cobertura, moram nos bairros mais ricos do Brasil e nos bairros mais rico dos Estados Unidos”, disse.

Setor de combustíveis

O presidente brasileiro citou como exemplo uma operação policial envolvendo crimes no setor de combustíveis e afirmou que o governo já forneceu informações às autoridades americanas.

“Bloqueamos 250 milhões de litros de gasolinas em cinco navios, entregamos para a Petrobras, essa pessoa [responsável pelo crime] mora em Miami. Mandamos para o presidente fotografias da casa dele, o nome dele e queremos essa pessoa do Brasil", afirmou o presidente, sem citar nomes. "É para combater o crime organizado? Então, nos entregue o nosso bandido.”

Segundo Lula, o tema já foi tratado diretamente com o presidente americano, e documentos foram encaminhados formalmente.

"Já conversei disso três vezes com o presidente tanto por telefone e já mandamos para ele uma relação das coisas que nós queremos fazer, já mandamos o documento da receita federal. Já mandamos fotografia, já mandamos em nome de pessoas", afirmou.

O presidente também indicou que pretende envolver Polícia Federal, Ministério da Justiça e Ministério Público nas conversas bilaterais.

“Vou levar meu ministro da Justiça, coloco o departamento de justiça deles, vou levar meu ministério público para gente colocar um fim nisso. Se é para combater o crime, o Brasil está disposto a combater”, disse.

Os presidentes Donald Trump e Lula, durante reunião na Malásia, em 26 de outubro de 2025. Presidentes se encontrarão em Washington em março (Andrew Reynolds/AFP/AFP)

Crime: indústria 'multinacional'

Para Lula, o crime organizado se tornou uma “indústria multinacional” com ramificações em diferentes esferas de poder:

"Se tem uma coisa que nós precisamos trabalhar junto é combater o crime organizado, que é uma indústria multinacional altamente sofisticada, com braço no poder Judiciário, com braço no futebol, com braço na política, com braço no empresariado, com braço em todos os locais da humanidade", afirmou.

Para ele, a PF precisa construir parcerias com todos os países que tenham interesse em combater o crime organizado em conjunto com o Brasil.

"Onde eu for, a Polícia Federal vai atrás. Precisamos fazer convênios para combater o crime organizado e o narcotráfico", disse Lula, em referência à presença de Andrei Rodrigues, diretor da PF, na comitiva presidencial na Índia.

Reunião com Trump

Ao final, o presidente demonstrou otimismo quanto à reunião com o presidente americano para avançar na pauta.

“Então, estou muito otimista com essa reunião com Trump para a gente colocar as coisas bem a nu, para todo mundo saber o que que nós queremos saber”, disse.

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