Lula sinaliza que Jaques Wagner permanece como líder do governo no Senado após operação da PF
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizou apoio ao senador Jaques Wagner (PT-BA) nesta sexta-feira, 19. Ao ser questionado por jornalistas sobre a permanência do parlamentar na liderança do governo no Senado, o petista respondeu com um gesto positivo.
A interação ocorreu enquanto Lula cumprimentava pessoas que o aguardavam no Hospital Luxemburgo, em Belo Horizonte (MG). O presidente não concedeu entrevista à imprensa no local e também não abordou o tema durante seu discurso.
Jaques Wagner passou a ser alvo de investigações após ser citado na nova etapa da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira, 18. A Polícia Federal investiga suspeitas de pagamentos relacionados ao Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, que teriam sido realizados por meio da empresa da nora do senador. Os investigadores também apuram a aquisição de um apartamento em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões. Wagner nega qualquer irregularidade.
Em Belo Horizonte, Lula participou de cerimônia para anunciar R$ 89,3 milhões em investimentos destinados ao Hospital Luxemburgo. A unidade, administrada pelo Instituto Mário Penna, passou a operar integralmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e é referência no tratamento oncológico em Minas Gerais.
O evento também contou com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Durante sua fala, ele apresentou resultados de programas da pasta e fez críticas ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), apontado como possível candidato à Presidência da República.
"A gente já teve um presidente que se negava a investir em estado onde o governador não o apoiasse", afirmou Padilha em referência a Bolsonaro, acrescentando que a postura de Zema "não impediu que o governo federal investisse no estado".
"O presidente Lula não está preocupado se o governador de Minas Gerais gosta de comer banana com casca ou sem casca. O presidente Lula olha para o povo de Minas", disse o ministro.
'Meu patrimônio é limpo'
Jaques Wagner (PT-BA) negou nesta quinta-feira que tenha cometido qualquer irregularidade após agentes da Polícia Federal apreenderem dólares em endereços do senador nesta manhã. A ação faz parte da 9ª fase da Operação Compliance Zero.
Nas redes sociais, o parlamentar afirmou que não possui CNPJ e que seu patrimônio está regularizado.
"Eu não tenho CNPJ, eu só tenho CPF. Meu patrimônio é limpo, está no meu CPF e declarado no Imposto de Renda: o apartamento onde moro e meu sítio em Andaraí. Em 2018 enfrentei o mesmo tipo de ataque e o povo da Bahia me deu a maior votação da história", escreveu em uma publicação no X (antigo Twitter).
Ele também afirmou que recebeu apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por conversa telefônica, após o início das operações.
"Recebi hoje o telefonema de solidariedade e a confiança do presidente Lula. Sigo firme o meu trabalho pelo povo baiano. A nossa caminhada continua firme!"
Em entrevista à BandNews, o petista confirmou que permanecerá na liderança do governo no Senado enquanto for essa a vontade do presidente Lula.
"Eu continuo na liderança até que o presidente Lula peça que eu me retire. Não acho que ele vai fazer isso, mas se ele fizer é um direito dele. O cargo de líder do governo é do presidente da República, mas eu falei com ele hoje e ele sequer tocou nesse tema", disse.
O senador também informou que manterá sua candidatura à reeleição para o Senado.
Operação Compliance Zero
Na manhã desta quinta-feira, o parlamentar foi alvo de mandado de busca e apreensão cumprido pela Polícia Federal na nona fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de favorecimento a interesses do Banco Master.
De acordo com a PF, Wagner teria sido o principal beneficiário de vantagens econômicas atribuídas a integrantes da instituição financeira. Entre os benefícios citados pelos investigadores estão pagamentos relacionados a um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões, em Salvador, utilização de aeronaves vinculadas ao banco e acesso a um camarote durante um show internacional em Los Angeles, com custo estimado em R$ 63,3 mil.
A apuração aponta que a ligação do senador com o caso ocorre por meio do empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, que também foi alvo da operação.
Os investigadores mencionam uma troca de mensagens na qual Wagner encaminha a Lima informações sobre um imóvel de interesse na capital baiana. "A unidade é a 1702 e o preço é 2,45 milhões", escreveu ele. A mensagem tem data de novembro de 2024.
Ao comentar o caso, o senador negou ter recebido recursos do Banco Master.
"Nunca recebi de dinheiro de ninguém, muito menos do Master e do Augusto Lima".
Ele também rejeitou irregularidades na negociação envolvendo o imóvel.
" Sobre o apartamento, na verdade é um apartamento que está em construção. Eu tinha interesse em dar um apartamento, ajudar minha filha a comprar um apartamento desse. Como o Guga, o Augusto Lima, é um investidor, disse a ele: 'pode comprar? Depois eu vou recomprar'"
Desde que surgiram as investigações envolvendo o Banco Master, Jaques Wagner tem negado qualquer participação nas irregularidades atribuídas à instituição. Em fevereiro deste ano, o próprio senador classificou o caso como um esquema de “falcatruas”.
A Polícia Federal também apontou indícios de atuação do parlamentar em temas de interesse do banco. Entre eles estariam articulações junto ao governo para viabilizar a compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB) e apoio, no Senado, à tramitação de uma proposta apelidada de “emenda Master”.
Apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), a medida previa elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para aplicações em Certificados de Depósito Bancário (CDBs).
Jaques Wagner ocupa a liderança do governo no Senado desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em administrações anteriores do PT, exerceu funções como ministro da Casa Civil, da Defesa e da Secretaria de Relações Institucionais.
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