Lula sugere a Zelensky aceitar perda de territórios da Ucrânia: 'a situação está dada'

Por Mateus Omena 5 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Lula sugere a Zelensky aceitar perda de territórios da Ucrânia: 'a situação está dada'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta terça-feira, 3, que a guerra entre Rússia e Ucrânia continua porque falta coragem ao presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, para reconhecer que será necessário ceder territórios. Segundo Lula, o conflito permanece sem solução porque o governo ucraniano ainda não admite a possibilidade de perder áreas ocupadas pela Rússia.

O presidente brasileiro defende há anos que a solução para a guerra deve ocorrer por meio da diplomacia. Em conversa reservada, Zelensky teria dito a Lula que não aceita um acordo que inclua a cessão de regiões de fronteira atualmente ocupadas por forças russas, informou o jornal O Globo.

"Por que vocês acham que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia ainda não acabou? A situação está dada. O Putin sabe que ele vai ficar com o que ele já ocupou e o Zelensky sabe que ele não vai ficar com o que ele já perdeu. Acontece que é preciso ter coragem para assumir esse fato", declarou o presidente brasileiro.

A declaração foi feita durante participação na 2ª Conferência Nacional do Trabalho, realizada nesta semana no centro de convenções do Anhembi, em São Paulo. O evento reúne representantes de sindicatos, empresários e integrantes do governo.

O tema surgiu enquanto Lula comparava o cenário internacional com negociações entre trabalhadores e empregadores. O presidente utilizou o exemplo para defender um projeto de lei negociado que reduza a jornada semanal de trabalho, com regulamentação diferenciada entre categorias.

"Quem é sindicalista sabe o acordo que é possível, mas, muitas vezes, não se tem coragem de falar na assembleia", afirmou. "O que estamos tentando é construir um conjunto de propostas que interessa a empresários e a trabalhadores, que interessa ao país, para dar mais comodidade nesse mundo nervoso e as pessoas tenham mais tempo de estudar, de ficar com a família e de descansar".

A relação entre Lula e Zelensky registra momentos de tensão desde o início da guerra no Leste europeu. Declarações anteriores do presidente brasileiro, nas quais afirmou que os dois países teriam responsabilidade pelo conflito iniciado pela invasão ordenada pelo presidente russo, Vladimir Putin, provocaram reações internacionais.

Autoridades brasileiras negam alinhamento com Moscou. O Itamaraty sustenta que a posição do Brasil permanece centrada na defesa de negociações diplomáticas para encerrar o conflito.

Lula reforça necessidade do diálogo entre Rússia e Ucrânia

Em setembro do ano passado, Lula e Zelensky se reuniram durante a assembleia-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Na ocasião, o presidente brasileiro reiterou que considera a negociação o caminho para encerrar a guerra, enquanto o líder ucraniano agradeceu pela “posição clara” do Brasil em direção à paz. As tratativas têm ocorrido com mediação dos Estados Unidos.

O presidente americano, Donald Trump, tem adotado posições distintas sobre os termos de um eventual acordo. Ele pressionou Zelensky a considerar condições apresentadas por Putin, ao mesmo tempo em que afirmou acreditar na possibilidade de um contra-ataque militar da Ucrânia.

“Com tempo, paciência e o apoio financeiro da Europa, e em particular da Otan, as fronteiras originais, de onde esta guerra começou, são uma opção viável”, escreveu Trump em setembro.

*Com informações da agência O Globo.

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