Lula tem encontro com Zelensky durante cúpula do G7 e conversam sobre guerra entre Rússia e Ucrânia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, durante a cúpula do G7 realizada em Évian-les-Bains.
No encontro, os chefes de Estado trataram da guerra entre Rússia e Ucrânia, conflito iniciado há quatro anos e quatro meses com a invasão do território ucraniano.
O histórico de relações entre Lula e Zelensky inclui diferenças de posicionamento sobre o conflito. Em ocasiões anteriores, o presidente brasileiro declarou que a responsabilidade pela guerra envolvia os dois países.
Antes da reunião na França, o último encontro entre os líderes havia ocorrido em setembro do ano passado, durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
Críticas a Donald Trump
O presidente Lula também fez críticas ao governo dos Estados Unidos durante a cúpula do G7. Em um diálogo registrado por câmeras da agência Associated Press, Lula afirmou que não suporta o comportamento adotado pelo governo americano.
Os dois líderes participam do encontro como convidados do grupo e conversavam de maneira informal na sala principal do evento, sem a presença dos demais chefes de Estado. A gravação captou apenas parte da conversa.
Durante o diálogo, Lula afirmou que o Brasil "não tem divergência com nenhum país" e que "não gosta de briga". Na sequência, falou sobre a gestão de Donald Trump: "Eu não suporto o comportamento do governo americano".
Parte da conversa não pode ser compreendida devido à qualidade do áudio. Em outro momento, porém, o presidente brasileiro menciona um "imperador", expressão que já utilizou anteriormente ao se referir ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, embora o nome do americano não seja ouvido na gravação.
Lula também criticou a postura de quem "acha que pode levantar de manhã e dar ordem para o mundo todo". A declaração foi interpretada como uma referência ao presidente americano, em linha com manifestações feitas pelo brasileiro em outras ocasiões. Em seguida, afirmou que esse comportamento representa um "mau exemplo para a democracia".
As críticas repetem posicionamentos anteriores do presidente brasileiro. Em entrevista ao jornal espanhol El País, em abril, Lula declarou que "Trump não tem o direito de acordar de manhã e ameaçar um país".
Já durante a cúpula do Brics realizada no Rio de Janeiro, em 2025, o presidente comentou a possibilidade de imposição de tarifas por parte dos Estados Unidos. Na ocasião, afirmou: "O mundo mudou, não queremos imperador. Nós somos países soberanos. Se ele achar que ele pode taxar, os países têm o direito de taxar também."
Segundo o vídeo registrado pela Associated Press, Lee Jae-myung ouviu os comentários sem fazer observações sobre o tema. Posteriormente, direcionou a conversa para o turismo e perguntou sobre a quantidade de visitantes que o Brasil recebe.
Lula participa do encontro do G7 como convidado. O grupo reúne Estados Unidos, França, Reino Unido, Canadá, Itália, Japão e Alemanha. Também participam do evento outros países convidados, entre eles Egito, Índia e Ucrânia. Trump esteve presente na reunião, mas não realizou um encontro bilateral formal com Lula durante a agenda oficial. Os dois apenas se cumprimentaram em um evento social realizado na noite de terça-feira, 16.
Lula cobra ação dos países ricos no G7
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião ampliada do G7 sobre o tema “Relançar um crescimento econômico equilibrado, compartilhado e sustentável, em benefício de todos”, em Évian-les-Bains - França. (Ricardo Stuckert / PR/Divulgação)
Durante discurso realizado na terça-feira, 16, o presidente brasileiro afirmou que as economias mais desenvolvidas têm falhado em responder à crise global de desenvolvimento. Sem citar diretamente governos ou líderes, Lula fez críticas ao neoliberalismo e ao protecionismo presente na política comercial adotada pela administração Trump.
"Os desafios se multiplicam, mas a solidariedade internacional encolhe", afirmou o presidente em sua fala.
O chefe do Executivo também abordou o combate ao crime organizado transnacional. Segundo Lula, as ações contra essas organizações devem ocorrer com respeito à soberania dos Estados.
Ao tratar do narcotráfico, afirmou que a atividade criminosa "aterroriza comunidades e desvia recursos públicos que deveriam ser direcionados para a construção de escolas, hospitais e estradas". Também declarou que o enfrentamento do problema "não pode ser dissociado de outros ilícitos como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas."
O tema ganhou relevância após uma decisão anunciada pelos Estados Unidos. Em 28 de maio, o Departamento de Estado americano classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
A medida foi anunciada dias depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL) reunir-se com Trump na Casa Branca. O parlamentar, apontado como possível candidato à Presidência da República em outubro, solicitou pessoalmente a adoção da medida pelo governo americano.
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