Maconha para ansiedade e depressão funciona? Talvez não, diz pesquisa

Por Vanessa Loiola 28 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Maconha para ansiedade e depressão funciona? Talvez não, diz pesquisa

A cannabis medicinal pode ajudar no tratamento de transtornos contra ansiedade, depressão e estresse pós-traumático (TEPT)?

Estudo publicado na revista The Lancet dá algumas indicações sobre isso. E elas não são muito animadoras para os fãs de maconha. A análise reúne evidências acumuladas ao longo de décadas e indica que o uso da substância em saúde mental não possui respaldo consistente na literatura científica.

O trabalho foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Sydney e avaliou dados de 54 ensaios clínicos randomizados realizados entre 1980 e 2025.

Uso cresce, mas evidências não acompanham

Os resultados mostram ausência de comprovação de benefício para ansiedade, depressão ou TEPT, mesmo com a expansão do consumo em diferentes países.

De acordo com os autores, parte dos pacientes recorre à substância com foco em sintomas psicológicos, apesar da limitação dos dados disponíveis. A revisão indica que esse cenário ocorre junto ao aumento de prescrições e da oferta de produtos derivados.

Além da falta de eficácia, o estudo aponta possíveis efeitos negativos. Entre eles estão maior probabilidade de sintomas psicóticos, desenvolvimento de dependência e atraso no início de terapias com eficácia comprovada.

Os autores destacam que esses fatores podem afetar diretamente os resultados clínicos, principalmente quando o uso substitui abordagens já estabelecidas.

Benefícios aparecem em outras condições, com limitações

A revisão identificou alguns sinais de efeito em condições como insônia, autismo, tiques e transtornos relacionados ao uso da própria substância. Ainda assim, a qualidade dessas evidências foi considerada baixa.

Por outro lado, o estudo cita aplicações já reconhecidas em outras áreas, como controle de convulsões em determinados tipos de epilepsia, redução de espasticidade em esclerose múltipla e manejo de alguns quadros de dor.

A análise também avaliou o uso em transtornos por uso de substâncias com efeitos distintos de acordo com o contexto.

Em alguns casos, formulações específicas mostraram potencial para reduzir o consumo da própria substância quando associadas a acompanhamento terapêutico. Já em pessoas com transtorno por uso de cocaína, houve aumento da fissura.

Os resultados surgem em um cenário de crescimento do uso e da prescrição para fins medicinais. De acordo com a avaliação dos autores, a revisão pode contribuir para decisões clínicas baseadas em evidências.

O estudo também reforça a necessidade de maior rigor na regulamentação e no acompanhamento do uso, especialmente em tratamentos para a saúde mental.

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