Magalu, Azzas e MRV: ações sensíveis a juros lideram perdas do Ibovespa
O sentimento de aversão a investimentos de maior risco toma conta dos mercados nesta segunda-feira, 2. Efeito natural diante de um conflito como o que está em curso no Oriente Médio. Sem previsão do quanto o embate com o Irã vai se estender e o tanto de tempo que vai durar, os investidores migram para ativos considerados seguros, favorecendo inclusive o dólar, que estava enfraquecido desde o começo do ano. O Brasil não é exceção e, assim como no exterior, o mercado acionário recua. As maiores baixas do Ibovespa, contudo, chamam atenção.
Não é nenhuma surpresa que Braskem (BRKM5) lidere as perdas do índice nesta manhã. A companhia trabalha com nafta e etano, duas matérias-primas derivadas do petróleo e do gás natural. Ambas as commodities disparam no mercado internacional hoje, o que se torna mais uma pressão de custos para a Braskem, já mal das perdas. Mas a lista de maiores baixas continua com varejistas, construtoras e empresas de educação — e o que elas têm em comum? São todas sensíveis às taxas de juros.
Magazine Luiza (MGLU3), Azzas 2154 (AZZA3) e C&A (CEAB3) estavam no top 5 de quedas por volta das 11h20 (horário de Brasília), caindo entre 3% e 4%. MRV (MRVE3) completava a lista. Juros elevados, via de regra, deixam o crédito mais caro e freiam o consumo. Também encarem o financiamento de imóveis. Estaria o mercado precificando uma desaceleração nos cortes da Selic, previstos para começar agora em março?
"O dólar sobe e o mercado começa a puxar a curva de juros para cima. Isso enfraquece a discussão de um corte maior, de 0,75 ponto percentual na reunião de abril", afirma Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos.
Hoje há duas variáveis trazendo perspectiva de inflação mais alta no Brasil: dólar e petróleo. Quando ambos ficam mais caros, preços dos combustíveis, de fretes e de alimentos tendem a subir de preço também. Nos Estados Unidos, o cenário também joga contra uma retomada na redução dos juros.
"Um choque persistente de energia pode dificultar o processo de desinflação e reduzir o espaço para cortes de juros pelo Federal Reserve e por outros bancos centrais", afirma Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica do Banco Pine.
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