Magazine Luiza tem prejuízo de R$ 33,9 mi no 1º tri após lucro um ano antes
O Magazine Luiza (MGLU3) teve prejuízo líquido de R$ 33,9 milhões no primeiro trimestre de 2026, o que representa uma deterioração de 402,7% no resultado líquido de um ano atrás, quando o Magalu reportou lucro de R$ 11,2 milhões. Em termos ajustados, incluindo os resultados não recorrente, o resultado líquido ficou negativo em R$ 55,2 milhões, de acordo com o balanço divulgado nesta quinta-feira, 7.
O Ebitda ajustado, indicador que mede o resultado da operação antes de juros, impostos, depreciação e amortização, foi de R$ 717,6 milhões, pouco abaixo dos R$ 758,8 milhões registrados nos primeiros três meses de 2025.
A margem Ebitda ficou em 7,8%, também levemente abaixo dos 8,1% do mesmo período do ano passado.
A rede varejista, dona também das marcas KaBuM!, Netshoes, Época Cosmésticos e Estante Virtual, registrou receita líquida de R$ 9,205,7 milhões entre janeiro e março. Com isso, houve uma redução de 2% na comparação anual sobre quanto a empresa faturou de fato, já que, no ano passado, a receita foi de R$ 9.389,00 milhões.
De acordo com o CFO, Roberto Bellissimo, o resultado da companhia foi impactado principalmente pelo patamar elevado da taxa de juros (CDI) e pela sazonalidade do período, que é "naturalmente mais fraco para o varejo", segundo afirmou à EXAME.
"Mesmo com o prejuízo registrado neste primeiro trimestre, a companhia segue no azul no acumulado de 12 meses, com cerca de R$ 150 milhões de lucro líquido. No ano passado, esse resultado foi de aproximadamente R$ 200 milhões", disse o diretor financeiro.
E-commerce cai e loja física cresce
A estratégia do Magazine Luiza de priorizar rentabilidade no digital continuou impactando o desempenho do e-commerce no primeiro trimestre de 2026. A companhia reportou vendas online de R$ 10 bilhões no período, uma queda de 11% em relação ao mesmo trimestre do ano passado.
O movimento reflete, segundo a varejista, a decisão de preservar margens em um ambiente ainda competitivo e pressionado por custos mais altos em categorias relevantes para o canal digital.
O recuo foi observado tanto na operação de estoque próprio (1P) quanto no marketplace (3P). As vendas do e-commerce 1P somaram R$ 6,1 bilhões, queda anual de 8,8%, enquanto o marketplace movimentou R$ 3,9 bilhões, retração de 14,3% na mesma comparação. Com isso, a participação do digital nas vendas totais do ecossistema caiu de 69,7% para 65,7% em um ano.
Na frente de lojas físicas, contudo, o Magazine Luiza voltou a registrar avanço. As vendas nas unidades cresceram 6,9% no primeiro trimestre, para R$ 5,2 bilhões, desempenho acima do mercado e considerado pela empresa como ganho de participação de mercado.
Em vendas em mesmas lojas (SSS), o indicador avançou 6,4% no período, em linha com o ritmo observado nos últimos trimestres. O grupo encerrou março com 1.245 lojas, número estável em relação ao ano anterior, sendo 1.015 unidades convencionais e 230 lojas virtuais.
Despesas financeiras líquidas aumentam
Outro ponto que impactou negativamente o balanço foram as despesas financeiras líquidas, que subiram 16,5% e chegaram a R$ 568,7 milhões ante R$ 488,1 milhões um ano antes. Esse crescimento aconteceu, segundo a empresa, também devido ao aumento da taxa de juros média, que subiu de 12,25% no início para 15%, uma variação média de 14% no trimestre.
Bellissimo destaca, contudo, que a companhia manteve um controle de custos, resultando em uma leve queda nominal no total das despesas operacionais. Até março, elas somavam R$ 2.153,1 milhões, 23,4% da receita líquida, sendo que no 1° trimestre de 2025 elas estavam em R$ 2.160,5 milhões (23,0% da receita líquida).
Nos custos, o Magazine Luiza registrou uma redução de 2,1% no custo total de mercadorias vendidas no primeiro trimestre de 2026, para R$ 6,37 bilhões, ante R$ 6,51 bilhões no mesmo período do ano passado.
A varejista também encerrou o trimestre mantendo posição de caixa líquido, ou seja, com caixa total superior à dívida bruta. O caixa líquido ajustado foi de R$ 1,16 bilhão no primeiro trimestre de 2026, abaixo dos R$ 3,09 bilhões registrados no quarto trimestre de 2025 e dos R$ 2,08 bilhões vistos um ano antes.
A alavancagem medida pela relação entre caixa líquido e Ebitda ajustado dos últimos 12 meses ficou em 0,4 vez, ante 1,0 vez no trimestre imediatamente anterior e 0,7 vez no primeiro trimestre de 2025.
O fluxo de caixa livre ficou negativo em R$ 1,51 bilhão no trimestre, pressionado por um fluxo operacional negativo de R$ 1,32 bilhão e investimentos (Capex) de R$ 189,6 milhões. No mesmo período do ano anterior, o fluxo de caixa livre havia sido negativo em R$ 839,6 milhões.
Segundo a companhia, o consumo de caixa no início do ano é sazonal, mas foi intensificado pela estratégia de aumento de estoques para a Copa do Mundo e pela necessidade de mitigar impactos da escassez global de chips.
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