Maior investidor de ether 'perde' US$ 7,3 bi com queda da criptomoeda
A BitMine é a empresa listada em bolsa que mais investe em ether, a criptomoeda nativa da rede Ethereum. Sob a gestão de Tom Lee, a BitMine pode enfrentar perdas de cerca de US$ 7,3 bilhões caso opte por vender suas participações agora, enquanto os investidores avaliam a piora do sentimento, as saídas de capital de ETFs e uma configuração gráfica de baixa que aponta para uma possível queda até US$ 1.6 mil.
No momento, o ether é cotado a US$ 2.120, com queda de quase 30% desde o início do ano, segundo dados do CoinMarketCap.
Tom Lee continua comprando ether
Apesar disso, a Bitmine continua comprando ether. Com relação à máxima de agosto de 2025 em US$ 4.955, o preço da criptomoeda caiu cerca de 57%. Análises técnicas do preço do ETH alertam para uma possível queda de 25%, o que elevaria as perdas da Bitmine para mais de US$ 10 bilhões.
A pressão vendedora também reduziu a participação de mercado da Ethereum. O domínio do ETH caiu para cerca de 10%, ante aproximadamente 15% em agosto de 2025.
Ether como estratégia de tesouraria
A BitMine começou a construir seu tesouro em Ethereum em julho de 2025, dias após concluir uma colocação privada de US$ 250 milhões para financiar a estratégia. Em 14 de julho, a empresa divulgou que possuía 163.142 ETH, avaliados em cerca de US$ 500 milhões na época.
O movimento acompanhou uma forte tendência de investimento em cripto, principalmente o bitcoin, como estratégia de tesouraria. No Brasil, empresas como Méliuz e OranjeBTC investem em bitcoin seguindo essa estratégia.
Na semana passada, a BitMine detinha 5,28 milhões de ETH, ou cerca de 4,37% da oferta total de Ethereum, o que a tornou a maior empresa de tesouraria de Eeher negociada publicamente no mundo. Isso significa que a empresa de Tom Lee continuou acumulando ETH durante a queda, mesmo com o aumento de suas perdas.
Lee não considerou as perdas um motivo para recuar. Em fevereiro, ele argumentou que a forte queda do ETH poderia oferecer outra oportunidade de compra, citando o histórico de recuperações em forma de V do Ethereum após quedas superiores a 50%.
Em maio, a BitMine afirmou que iria moderar o ritmo de suas compras de ETH, mas que não abandonaria a estratégia.
A empresa ainda espera atingir sua meta de deter 5% do fornecimento total de Ethereum até dezembro, sinalizando que a estratégia de Lee permanece focada na acumulação a longo prazo, apesar das crescentes perdas não realizadas.
Prejuízo pode chegar a US$ 10 bilhões
O prejuízo da BitMine com contratos futuros de ether pode aumentar para mais de US$ 10 bilhões caso a tendência atual de queda da criptomoeda continuar.
No domingo, 24, o ETH estava oscilando próximo à linha de tendência inferior de sua cunha ascendente predominante, um padrão de reversão de baixa que frequentemente sinaliza o enfraquecimento do ímpeto comprador.
Uma quebra confirmada abaixo desse suporte poderia desencadear um movimento moderado em direção à área de US$ 1.6 mil, uma queda de cerca de 25% em relação aos preços atuais, até julho ou agosto. A meta é definida subtraindo-se a altura máxima da cunha do ponto de quebra.
Por outro lado, uma recuperação decisiva a partir do limite inferior pode aumentar as chances de uma alta de 19% a 20% em direção a US$ 2.530, alinhando-se com o limite superior da cunha e a média móvel exponencial de 200 dias (EMA de 200 dias, linha azul).
O cenário de colapso elevaria as perdas não realizadas da BitMine para quase US$ 10,1 bilhões, com base em suas reservas declaradas de 5,28 milhões de ETH e preço médio de compra de US$ 3.513.
Pessimismo entre investidores
A configuração técnica de baixa do ether coincide com vários outros fatores adversos, como as recentes saídas da Fundação Ethereum, os persistentes fluxos de saída de ETFs de ETH e o enfraquecimento do sentimento nas redes sociais.
O sentimento de investidires em relação ao ETH diminuiu em maio, com a proporção de comentários otimistas para pessimistas caindo de mais de 2:1 no final de abril para quase 1:1, de acordo com a plataforma de dados on-chain Santiment.
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