Maior tiktoker do mundo fecha acordo de US$ 900 mi e muda a lógica da influência
Khaby Lame, o maior Tiktoker do mundo, conquistou o público com um conteúdo sem fala, baseado apenas em expressões faciais e gestos. Com essa abordagem simples e universal, acumulou cerca de 160 milhões de seguidores no TikTok e 360 milhões de seguidores somados entre TikTok e Instagram.
Além de inovar no formato, Khaby também se destacou pela visão estratégica nos negócios. Ele firmou um acordo de aquisição e parceria estimado entre 900 e 975 milhões de dólares com a Rich Sparkle Holdings.
A negociação envolveu a venda parcial de sua empresa, a Step Distinctive Limited e concedeu à Rich Sparkle o gerenciamento, com exclusividade, de sua marca pessoal, incluindo parcerias, licenciamentos e campanhas pelo prazo de 36 meses.
Além dos serviços previstos no acordo, existe também a possibilidade de desenvolvimento de uma versão de Khaby gerada por inteligência artificial. A proposta é replicar suas feições, gestos e até mesmo sua voz, permitindo a produção e distribuição de conteúdos, sem a necessidade de ocupar a agenda do criador com novas gravações.
O objetivo da parceria é movimentar a creator economy e gerar mais de 4 bilhões de dólares em vendas anuais, mas o que realmente impressiona não é só o valor da transação, mas a estratégia por trás. Khaby se tornará acionista majoritário da Rich Sparkle Holdings, invertendo a lógica tradicional do mercado.
Na economia de criadores, esse movimento é enorme. Em vez de apenas monetizar sua audiência, Khaby deu um salto visionário: virou sócio do negócio que vai gerenciar sua própria marca.
Tradicionalmente, os creators são talentos representados por agências. Aqui, o talento passa a ser dono da estrutura que opera a monetização.
É uma mudança significativa em um setor que já fatura bilhões: a creator economy global deve ultrapassar 200 bilhões de dólares em 2026, com projeções que chegam a 480 bilhões até 2027.
A evolução do marketing de influência
Para entender a dimensão dessa mudança, vale trazer uma retrospectiva sobre o marketing de influência:
2010-2016: Surgem os primeiros grandes influenciadores digitais, ainda pouco profissionalizados, produzindo conteúdo de forma orgânica e sem estrutura empresarial. As marcas começaram a enxergar o Instagram como canal estratégico e fechavam parcerias pontuais, focadas em alcance e exposição.
A partir de 2017: Maior profissionalização com a intermediação de agências especializadas, que passaram a estruturar mídia kit, precificação e planejamento de conteúdo.
2020-2024: Com a pandemia, o aumento do tempo de tela e o surgimento do TikTok, os criadores chegaram a um novo grau de profissionalização: ter sua própria empresa. Lançaram produtos próprios, linhas licenciadas e investiram em posicionamento de longo prazo.
2025-2026: Khaby coloca a creator economy em outro patamar ao assumir o papel de acionista. Uma ação que deve repercutir por anos e gerar transações bilionárias.
A grande questão é se o mercado de creators está, de fato, preparado para essa mudança.
Antes de pensar em se tornar acionista do próprio negócio, o criador de conteúdo precisa ter clareza sobre sua estrutura financeira, previsibilidade de receita e diversificação de fontes de renda. Caso contrário, pode virar um risco sem retorno financeiro.
Também é essencial entender timing. Nem todo momento é ideal para inovar. Às vezes, a melhor decisão estratégica é fortalecer a comunidade e organizar processos internos antes de expandir.
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