Mais de 1.000 artistas assinam carta conjunta contra fusão entre Paramount e Warner
Mais de 1000 artistas de Hollywood divulgaram nesta segunda-feira, 13, uma carta contra a aquisição da Warner pela Paramount, alertando para impactos negativos sobre empregos, produção de filmes e concorrência na indústria audiovisual.
O documento foi assinado por atores e diretores como David Fincher, Joaquin Phoenix, Mark Ruffalo, Kristen Stewart, Lily Gladstone e Yorgos Lanthimos. No texto, os signatários afirmam que a fusão pode gerar “menos oportunidades para criadores, menos empregos em toda a cadeia de produção, custos mais altos e menos opções para o público”.
A carta aponta que a indústria cinematográfica já enfrenta uma redução no número de produções e na diversidade de histórias financiadas. Segundo os autores, um grupo cada vez menor de empresas tem concentrado decisões sobre o que é produzido e distribuído, o que limita o espaço para criadores independentes.
O movimento foi organizado por entidades como o Committee for the First Amendment, liderado por Jane Fonda, além do Democracy Defenders Fund e da Future Film Coalition.
Pressão sobre a indústria e perda de espaço
Os profissionais afirmam que o setor já enfrenta uma retração relevante, marcada pela queda no número de filmes produzidos e pela redução da diversidade de histórias financiadas. Segundo o texto, decisões sobre o que é produzido e distribuído estão cada vez mais concentradas em um grupo restrito de grandes empresas, o que limita o espaço para criadores independentes.
A carta destaca que esse movimento de consolidação tem efeitos estruturais na indústria. Entre eles, o desaparecimento de filmes de médio orçamento, a perda de força da distribuição independente e o enfraquecimento do mercado internacional de vendas. Também cita a redução de participações nos lucros e mudanças nos créditos de tela, apontadas como sinais de deterioração das condições para profissionais do setor.
O impacto, segundo os signatários, vai além dos estúdios e atinge diretamente a base da cadeia produtiva, formada por pequenas empresas e trabalhadores independentes espalhados por diferentes regiões dos Estados Unidos.
Negócio de US$ 111 bilhões
A aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount foi fechada por US$ 111 bilhões, após disputa com a Netflix. O CEO da Paramount, David Ellison, defende que o acordo ampliará investimentos e prevê maior volume de lançamentos nos cinemas.
Apesar disso, o documento afirma que a operação pode gerar “menos oportunidades para criadores, menos empregos em todo o ecossistema de produção, custos mais altos e menos opções para o público” nos Estados Unidos e em outros mercados.
Os profissionais também criticam o que chamam de priorização de interesses de um grupo restrito de stakeholders em detrimento do interesse público, apontando riscos à independência e à diversidade da indústria audiovisual.
Pressão regulatória e risco de bloqueio
A operação ainda depende de aprovação regulatória, e o debate ganhou força nos Estados Unidos. O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, é citado na carta como uma das autoridades que analisam a fusão e avaliam possíveis medidas para barrar o negócio.
Leia a carta na íntegra
"Como cineastas, documentaristas e profissionais de toda a indústria de cinema e televisão, escrevemos para expressar nossa oposição inequívoca à proposta de fusão entre a Paramount e a Warner Bros. Discovery.
Essa transação aprofundaria ainda mais a concentração de um cenário de mídia que já é altamente concentrado, reduzindo a concorrência em um momento em que nossas indústrias — e o público que atendemos — menos podem arcar com isso. O resultado será menos oportunidades para criadores, menos empregos em todo o ecossistema de produção, custos mais altos e menos opções para o público nos Estados Unidos e no mundo. De forma alarmante, essa fusão reduziria o número de grandes estúdios de cinema dos EUA para apenas quatro.
Nossa indústria já enfrenta forte pressão, em grande parte devido a ondas anteriores de consolidação. Temos observado uma queda acentuada no número de filmes produzidos e lançados, juntamente com uma redução na diversidade de histórias que recebem financiamento e distribuição. Cada vez mais, um pequeno grupo de entidades poderosas decide o que é produzido — e em quais termos —, deixando criadores e empresas independentes com menos caminhos viáveis para sustentar seu trabalho.
A consolidação da mídia acelerou o desaparecimento dos filmes de médio orçamento, a erosão da distribuição independente, o colapso do mercado internacional de vendas, a eliminação de participações significativas nos lucros e o enfraquecimento da integridade dos créditos de tela.
Em conjunto, esses fatores ameaçam a sustentabilidade de toda a comunidade criativa. Isso inclui colocar em risco a vida profissional de dezenas de milhares de trabalhadores que compõem essa comunidade, majoritariamente em pequenas empresas e companhias independentes inseridas em economias e comunidades locais em todo o país.
Estamos profundamente preocupados com indícios de apoio a essa fusão que priorizam os interesses de um pequeno grupo de stakeholders poderosos em detrimento do interesse público mais amplo. A integridade, a independência e a diversidade da nossa indústria seriam gravemente comprometidas.
A concorrência é essencial para uma economia saudável e uma democracia saudável. Assim como uma regulação e fiscalização cuidadosas. A consolidação da mídia já enfraqueceu uma das indústrias globais mais vitais dos Estados Unidos — uma que há muito tempo molda a cultura e conecta pessoas ao redor do mundo.
Felizmente, há quem esteja agindo diante disso. O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, e seus colegas em outros estados estariam analisando a fusão e considerando ações legais para bloqueá-la. Somos gratos por sua liderança e estamos prontos para apoiar todos os esforços para preservar a concorrência, proteger empregos e garantir um futuro vibrante para nossa indústria, para a cultura americana e para nosso mais significativo produto de exportação."
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