Mapa 3D mais detalhado do Universo revela 47 milhões de galáxias
Como será o Universo? Ou melhor, qual a perspectiva que temos do espaço? Uma ferramenta pode ter indicado um caminho para essas respostas.
Um recorte do mapa produzido pelo levantamento de cinco anos do Dark Energy Spectroscopic Instrument (DESI) - poderoso instrumento de observação astronômica que fica instalado no Arizona, EUA - mostra galáxias acima e abaixo do plano da Via Láctea. Na imagem ampliada, é possível observar a estrutura em larga escala do Universo. A Terra aparece no centro dos setores, enquanto a faixa escura indica a região em que nossa própria galáxia bloqueia a visão de objetos mais distantes. A luz das galáxias mais remotas representadas levou 11 bilhões de anos para chegar até nós.
Cientistas anunciaram a conclusão das observações que cobrem toda a área-alvo do projeto, considerado um marco na investigação da energia escura — força misteriosa que se estima compor cerca de 70% do cosmos. Segundo o Science Daily, o levantamento foi finalizado antes do prazo e entregou muito mais dados do que o previsto, resultando no mapa tridimensional de maior resolução já criado.
Avanço científico sem precedentes
Ao longo de cinco anos, o DESI registrou mais de 47 milhões de galáxias e quasares (núcleos luminosos e distantes, alimentados por buracos negros), além de 20 milhões de estrelas. Esses dados já oferecem novas pistas sobre a estrutura do Universo e sua evolução, afirmou Paul Martini, professor de astronomia da Universidade Estadual de Ohio e cientista responsável pelo instrumento durante sua construção e comissionamento.
“DESI tem sido uma colaboração internacional exemplar, cujos resultados científicos de grande impacto demonstram sua relevância para toda a comunidade”, disse Martini ao Science Daily.
Colaboração global
O projeto reúne mais de 900 pesquisadores — incluindo 300 doutorandos — de mais de 70 instituições, sob a liderança do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, do Departamento de Energia dos Estados Unidos. Cientistas da Universidade Estadual de Ohio desempenharam papel central em descobertas importantes, como a análise dos primeiros resultados e a identificação de mudanças inesperadas no comportamento da energia escura.
O que os novos dados podem revelar
Com o conjunto completo de informações, os pesquisadores terão uma base mais sólida para testar teorias sobre o equilíbrio entre energia escura e matéria. Os resultados podem levar a mudanças significativas na forma como se compreende o Universo e se prevê seu futuro.
O DESI já reuniu medições de seis vezes mais galáxias e quasares do que todos os levantamentos anteriores somados. A equipe começará a processar o banco de dados completo em breve, com os primeiros resultados esperados para 2027.
Próximos passos
Embora a missão inicial esteja concluída, o DESI continuará observando o céu até 2028. O foco será em regiões de difícil observação, ampliando ainda mais o mapa cósmico. Essa expansão poderá melhorar estudos de estruturas próximas, como galáxias anãs e fluxos estelares, oferecendo uma visão mais clara da formação e evolução do Universo, explicou Klaus Honscheid, pesquisador envolvido no projeto.
Enquanto isso, cientistas da Universidade Estadual de Ohio seguem refinando medições da energia escura com base nos três primeiros anos de observações, além de trabalhar para otimizar o uso do tempo de telescópio e aprimorar o desempenho do instrumento em futuras descobertas.
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