Margareth Menezes: Um Carnaval histórico e a potência da Economia Criativa

Por Margareth Menezes 22 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Margareth Menezes: Um Carnaval histórico e a potência da Economia Criativa

O gesto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao prestigiar o Carnaval nestes últimos dias carrega um significado que ultrapassa a celebração e expressa o reconhecimento de uma prioridade política e econômica.

Quando o chefe de Estado dá visibilidade à festa, ilumina também uma cadeia produtiva que não termina na Quarta-Feira de Cinzas. Por trás do brilho dos desfiles e da alegria dos blocos existe um chão de fábrica pulsante.

Foi essa engrenagem que entregou ao país o que pode ser considerado o maior Carnaval de sua história.

Dados do Ministério do Turismo confirmam a dimensão desse impacto. Em 2026, a folia deve injetar R$ 18,6 bilhões na economia nacional. Essa inigualável potência criativa e econômica despertou o interesse da economista Mariana Mazzucato, referência global que, a convite do Ministério da Cultura (MinC) , esteve recentemente no Brasil para a pesquisa de campo sobre Carnaval, economia criativa e valor público.

A iniciativa resulta da cooperação entre o MinC e o Institute for Innovation and Public Purpose (IIPP), da University College London (UCL). Segundo a pesquisadora, o ciclo do Carnaval supera US$ 2 bilhões em receita direta. O número traduz o trabalho muitas vezes invisível dos barracões e ateliês. Ele revela a força que vai da costureira que finaliza o bordado à mão ao artesão que esculpe a identidade de uma comunidade.

Essa visão estratégica foi debatida no Fórum Brasil Criativo que realizamos em Salvador. O encontro reforçou o Carnaval como centro de uma plataforma de economia criativa enraizada nos territórios.

Ao contrário de festas que perderam a alma local, o Brasil mantém um Carnaval vivo. Ele gera valor, pertencimento e coesão social ao longo de todo o ano.

Esse diferencial é decisivo para a projeção internacional do país e inclui oportunidades que podem surgir a partir do acordo de parceria entre o Mercosul e a União Europeia. Trata-se de um amplo campo de possibilidades para os serviços criativos brasileiros.

Transformar essas janelas em resultados concretos exige avançar na implementação de políticas públicas de economia criativa. Essas políticas organizam o setor, qualificam a produção e ampliam a capacidade de entrega ao mundo. Sob a perspectiva da cooperação acadêmica internacional, o setor cultural se mostra catalisador de metas nacionais de inclusão, inovação e desenvolvimento.

A eficácia dessa política também se sustenta em evidências. Estudos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) indicam que cada real investido em cultura pode movimentar até R$ 7,59 na economia.

O poder multiplicador confirma que investir em cultura é uma decisão estratégica. Significa promover desenvolvimento. Significa também investir em segurança pública ao reduzir vulnerabilidades e ocupar territórios com dignidade e oportunidade para a juventude.

Essa engrenagem atua em escala nacional, diversa, plural e abrangente e consolidou 2026 como um dos maiores e melhores carnavais da história do Brasil. Houve recorde de público em São Paulo e Rio de Janeiro.

O número de turistas internacionais cresceu 49% em Recife e Olinda. Também se destacou o vigor de Belo Horizonte, que gerou 20 mil empregos. O conjunto desses resultados revela a força que pode ter uma política cultural estruturante e de alcance nacional.

Estar do lado do povo brasileiro é compreender que o investimento em cultura e artes é essencial para o progresso econômico e para o bem viver. O Carnaval de 2026 mostra que, quando o Estado aposta na sua gente e na sua criatividade, o país avança em soberania, renda e paz social.

Margareth Menezes é Ministra da Cultura do Brasil

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: