MBRF lucra R$ 111 milhões no 1º tri e vê exportações impulsionarem resultado
A MBRF registrou lucro líquido de R$ 111 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 26% em relação ao mesmo período do ano passado. A companhia também reportou receita líquida de R$ 39,5 bilhões e EBITDA de R$ 3,1 bilhões no período. O balanço foi divulgado nesta quarta-feira, 14.
Segundo os executivos da empresa, o desempenho foi impulsionado pela forte demanda global por proteínas e pela capacidade da companhia de direcionar produtos para mercados mais rentáveis.
A MBRF também registrou recorde nas exportações diretas de aves e suínos em março. Os embarques para a Europa avançaram 43% em relação ao trimestre anterior, enquanto as vendas para a Ásia cresceram 18%.
Segundo Miguel Gularte, CEO da companhia, o cenário internacional segue favorável para exportadores de proteína animal.
“Estamos vendo um cenário extremamente demandado, principalmente para China, Europa e Oriente Médio”, afirmou o executivo durante coletiva com jornalistas nesta quarta-feira.
Na América do Norte, a operação de bovinos registrou receita de US$ 3,5 bilhões no trimestre, alta de 6,9% na comparação anual. Apesar do crescimento, a companhia reconheceu que o ambiente operacional segue desafiador diante da escassez de gado nos Estados Unidos.
A pressão vem da redução do rebanho bovino no país. Desde 2019, o número de bovinos de corte caiu para 27,9 milhões de cabeças, retração de 13% no período. Já o estoque total de bovinos atingiu o menor nível desde 1952, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).
O movimento de queda se intensificou ao longo da década. Em 2021, o USDA contabilizava 92,6 milhões de cabeças de gado nos Estados Unidos. Agora, o número caiu para 86,6 milhões.
Segundo Tim Klein, CEO da National Beef, processadora de carne da Marfrig nos EUA, o setor enfrenta custos recordes de matéria-prima.
“Os preços do gado estão em máximas históricas e a demanda ainda não foi suficiente para compensar totalmente esses custos maiores”, afirmou.
De acordo com o executivo, a empresa conseguiu preservar margens graças a uma operação mais eficiente e aos investimentos recentes em modernização industrial.
“Estamos começando a capturar os benefícios das melhorias nas plantas e dos ganhos de eficiência planejados”, disse Klein.
Na América do Sul, a companhia reportou crescimento de 23,1% na receita e avanço de 34,9% no EBITDA na comparação anual.
Executivos atribuíram o desempenho aos ganhos de produtividade, ao aumento da ocupação industrial e ao foco em produtos de maior valor agregado.
Oriente Médio
A operação halal foi um dos destaques do trimestre. A companhia afirmou que encerrou o período com rentabilidade recorde na plataforma Sadia Halal, beneficiada pelo aumento do consumo durante o Ramadã e pelo crescimento dos preços na região.
Segundo executivos, a empresa conseguiu manter abastecimento e eficiência logística mesmo diante da guerra no Oriente Médio.
“Nós temos um sistema muito robusto de distribuição e uma presença muito forte nos diferentes países da região”, afirmou Gularte ao comentar os impactos da guerra sobre a operação halal.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: