Medicamento quase dobra sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas avançado
Um estudo apresentado durante a reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), em Chicago, e publicado no New England Journal of Medicine, revelou um dos resultados mais promissores já registrados no tratamento do câncer de pâncreas metastático. O medicamento experimental daraxonrasib quase dobrou a sobrevida de pacientes com a doença avançada, considerada uma das formas mais agressivas e letais de câncer.
A pesquisa envolveu cerca de 500 pacientes cujo câncer já havia deixado de responder aos tratamentos convencionais. Os participantes foram divididos entre aqueles que receberam o novo medicamento e os que continuaram com quimioterapia padrão. Os resultados surpreenderam a comunidade científica: a sobrevida mediana passou de 6,7 meses para 13,2 meses entre os pacientes tratados com daraxonrasib.
O alvo é uma mutação considerada “impossível” por décadas
O daraxonrasib atua sobre mutações da família de genes RAS, especialmente o KRAS, presente em mais de 90% dos casos de câncer pancreático. Durante décadas, cientistas consideraram essa alteração genética praticamente impossível de ser combatida por medicamentos devido à dificuldade de bloquear a proteína produzida pela mutação.
Segundo os pesquisadores, o novo tratamento funciona como uma espécie de “cola molecular”, capaz de se ligar a diferentes variantes da proteína KRAS e impedir que ela continue estimulando o crescimento dos tumores.
Especialistas descrevem resultado como um marco
A repercussão dos dados foi imediata entre os oncologistas presentes no congresso da ASCO. “Depois de mais de uma década sem grandes avanços no tratamento do câncer de pâncreas, ver isso é realmente emocionante”, afirmou a oncologista Ecaterina Dumbrava, do Centro de Câncer MD Anderson, da Universidade do Texas à Nature.
O oncologista Dr. Zev Wainberg, da UCLA Health e um dos líderes do estudo, destacou que o medicamento representa um avanço significativo, mesmo sem representar uma cura definitiva. “Embora não cure o câncer, é um passo muito grande à frente”, declarou à CBS News.
Menos efeitos graves e melhor qualidade de vida
Além de aumentar a sobrevida, o medicamento apresentou uma taxa menor de efeitos colaterais graves em comparação à quimioterapia tradicional.
Os pacientes relataram menos dor, maior controle da doença e melhora da qualidade de vida. Muitos continuavam recebendo o tratamento mesmo após o encerramento da análise dos dados, o que sugere que a diferença de sobrevivência pode aumentar conforme o acompanhamento avance.
Ainda assim, os pesquisadores alertam que o medicamento pode provocar reações importantes, como lesões de pele e feridas na boca, exigindo monitoramento médico constante.
Diante dos resultados, a agência reguladora dos Estados Unidos, a FDA, decidiu acelerar a análise do medicamento e já autorizou um programa especial para permitir o acesso de alguns pacientes antes da aprovação definitiva.
Um dos maiores avanços já vistos contra a doença
O câncer de pâncreas continua sendo um dos tumores mais difíceis de tratar. Nos Estados Unidos, a taxa de sobrevida em cinco anos é de aproximadamente 13%, e a maioria dos casos só é descoberta quando a doença já se espalhou para outros órgãos.
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