Medley é da EMS, mas marcas continuam separadas nas gôndolas, diz VP

Por Letícia Furlan 6 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Medley é da EMS, mas marcas continuam separadas nas gôndolas, diz VP

A compra da Medley pelo Grupo EMS deve manter a farmacêutica operando de forma independente dentro da estrutura do grupo. A estratégia prevê preservar a marca, o parque fabril e a equipe da empresa após a conclusão da operação. A companhia tem atualmente cerca de 900 colaboradores e uma estrutura industrial dedicada à produção de medicamentos genéricos.

Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS, afirma que a aquisição faz parte de uma estratégia de recolocar a empresa no centro das prioridades de investimento. A farmacêutica deixou de ser um foco estratégico dentro da Sanofi, que passou a priorizar áreas mais inovadoras.

A proposta do grupo brasileiro é acelerar o crescimento da companhia com investimentos em portfólio, infraestrutura industrial e ampliação do quadro de funcionários, em linha com o que o executivo descreve como o “alto grau de reinvestimento” característico da EMS.

Os valores da transação não foram divulgados. No mercado, especula-se que o negócio tenha superado US$ 500 milhões, algo entre R$ 2,7 bilhões e R$ 3 bilhões.

Segundo Sanchez, a empresa seguirá com gestão própria, mantendo a estrutura que já vinha operando separadamente da Sanofi. “A administração da Medley já está funcionando de forma independente, em um modelo stand-alone, com management próprio, fábrica e toda a estrutura operacional”, afirmou.

A avaliação da companhia é que consumidores e médicos costumam ter preferências por determinadas marcas, o que justifica preservar identidades distintas e estratégias próprias no ponto de venda. Ao mesmo tempo, a EMS pretende capturar ganhos operacionais ao integrar sua experiência no mercado de genéricos com a estrutura já estabelecida da Medley — cuja fábrica fica a cerca de 20 quilômetros da sede do grupo.

Mercado pulverizado

A conclusão da transação ainda depende da aprovação do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). A expectativa da EMS é receber um posicionamento ainda neste ano. Segundo o executivo, a estrutura do setor reduz o risco de questionamentos concorrenciais. “O mercado farmacêutico é extremamente pulverizado. Mesmo com um grupo líder adquirindo outra farmacêutica, não existe concentração relevante.”

Com a Medley, a EMS deve alcançar cerca de 30% de participação no mercado de genéricos no Brasil. Antes da operação, a companhia já detinha aproximadamente 22%.

Ainda assim, Sanchez afirma que a aquisição não elimina marcas nem reduz a concorrência nas prateleiras. “A marca Medley se soma ao portfólio atual que já temos. Em nenhum momento uma coisa deixa de existir em relação à outra.”

Segundo ele, a competição continua porque muitas empresas oferecem as mesmas moléculas. “No fim, todos os produtos estarão na prateleira e a escolha continua sendo do consumidor. O consumidor pode escolher um pantoprazol da EMS, da Medley ou de qualquer outro concorrente. Cabe a cada marca trabalhar sua estratégia para construir seu posicionamento".

O executivo afirma que a empresa vê espaço para expansão no setor. “Acreditamos que a Medley pode ganhar uma posição ainda mais relevante no mercado. É uma empresa extremamente respeitada e vemos muitos frutos após a aprovação do Cade.”

O grupo também afirma que o histórico de reinvestimentos em expansão industrial e desenvolvimento de produtos deve continuar após a aquisição. Até a conclusão da análise regulatória, a operação da empresa permanece sob gestão da Sanofi, sem mudanças no fornecimento de medicamentos ao mercado.

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