Meli vai abrir 14 novos centros de distribuição e reforçar 'fulfillment'
O Mercado Livre vai abrir 14 novos centros de distribuição ainda este ano. O investimento em logística é um dos pilares do aporte de R$ 57 bilhões que a companhia argentina fará no Brasil em 2026. Com as novas estruturas, a companhia passará a terá 42 unidades no país e aumentar em 50% a quantidade de CDs fulfillment, modelo que cuida de toda a operação logística do produto, do estoque até a entrega final.
"Ainda não definimos exatamente onde vão ser os CDs, dos estados que eles vão ser alocados. Muito provavelmente, vamos seguir fortalecendo o Sudeste, pela demanda muito grande da região. Mas vamos abrir mais fora, em outras regiões também, com a visão de trazer velocidade [de entrega] para todo o Brasil. À medida que trazemos velocidade, a gente cresce o tamanho do mercado", disse Fernando Yunes, vice-presidente do Mercado Livre no Brasil à EXAME.
De acordo com o Meli, aproximadamente 75% das entregas rápidas são realizadas em até 48 horas. "O Mercado Livre liderou a criação de uma logística rápida análoga ou melhor que a de muitos países desenvolvidos", afirma o executivo.
A ideia é democratizar a velocidade que o Meli tem sudeste para outras regiões. "Por isso lançamos tantos CDs fora e vamos seguir lançando — além dos aviões. Temos nove voando praticamente full time o Brasil e levando as encomendas para regiões mais distantes", afirmou o executivo. No Sudeste, além de São Paulo, o Meli tem centros de distribuição no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. No Nordeste, em Pernambuco, Bahia e no Ceará. Também há CDs nos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e no Distrito Federal.
Yunes diz que o Mercado Livre que acelerar a migração das compras offline para o online e citou o frete grátis para produtos a partir de R$ 19 como uma estratégia para "eliminar fricções". "Os brasileiros ainda compram pouco online", diz Yunes. A penetração do e-commerce no Brasil, hoje, é estimada em 17%. Nos Estados Unidos, esse percentual sobe para 27% e na China, para 32%.
"Esses últimos anos têm sido um movimento muito acelerado de aumentar o sortimento, com mais marcas presentes e um maior número de compradores. Uma coisa vai reforçando a outra, e a gente investindo muito na logística, puxamos um movimento que depois outros players seguiram", afirma o VP do Meli no Brasil.
Impacto econômico e geração de receita
O Brasil segue como o principal mercado do grupo, responsável por 52,6% da receita total em 2025. No período, a operação local registrou receita líquida de R$ 84,5 bilhões.
O impacto econômico também aparece na arrecadação de impostos. No último ano, o Mercado Livre pagou R$ 7,9 bilhões em tributos federais, estaduais e municipais, informou a companhia
A empresa também destaca o papel do seu ecossistema para pequenos negócios. Ao todo, 5,8 milhões de PMEs e empreendedores utilizam a plataforma no Brasil. Em 2024, essas operações movimentaram R$ 381 bilhões, valor equivalente a 3,2% do PIB brasileiro, calcula a empresa.
O investimento anunciado para 2026 marca o nono ano consecutivo de aumento de aportes no país e reforça a aposta da companhia na expansão de longo prazo do comércio eletrônico e dos serviços financeiros no Brasil.
No Mercado Pago o foco vai ser a ampliação da oferta de crédito para pessoas físicas e empreendedores e na integração dos serviços financeiros à experiência de compra no marketplace. Yunes diz que o Mercado Livre está confiante na estratégia, ainda que as taxas de juros estejam elevadas no Brasil.
"Os modelos de crédito do Mercado Pago estão super assertivos. A parte de atrasos, de perdas, está totalmente sob controle", diz o VP do Meli. "A sinergia do ecossistema ajuda na assertividade dos modelos de crédito, então, independente do contexto externo, a gente está confiante que dá para seguir crescendo a carteira com performance controlada."
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