Mercado mais competitivo exige estratégia: 5 lições de André Esteves para crescer na carreira
Com menos vagas de entrada, avanço da inteligência artificial e um mercado mais exigente, o início de carreira ficou mais complexo e mais decisivo.
Foi esse o pano de fundo da fala de André Esteves, chairman do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) durante a Conferência de Carreira 2026, evento do Na Prática que reuniu jovens talentos em São Paulo para um dia de palestras, mentorias e contato direto com recrutadores de grandes empresas.
Ao longo do painel, o executivo reforçou uma ideia central sobre o início da carreira. Para ele, o maior erro não está em escolher o emprego errado, mas em tomar decisões guiadas apenas pelo curto prazo.
“É muito comum o jovem mudar de emprego porque vai ganhar um pouco mais, mas abre mão de uma oportunidade que poderia levá-lo muito mais longe”, diz.
A partir da própria trajetória, de estudante sem plano definido a um dos principais nomes do mercado financeiro, Esteves estruturou uma visão prática sobre o que diferencia quem avança na carreira. Confira:
Priorize o longo prazo nas decisões
Antes de falar de habilidades ou mercado, Esteves volta ao que considera o principal filtro de decisão, o horizonte de tempo.
Para o banqueiro, a maior parte dos erros de carreira acontece quando profissionais trocam potencial por ganho imediato.
“Nunca sacrifique uma decisão de longo prazo por um ganho de curto prazo”, afirma.
A lógica aparece na própria trajetória dele. Ainda no início da carreira, deixou um trabalho mais confortável para entrar no mercado financeiro com salário menor, mas com mais espaço para crescer.
Crescer na carreira tem menos a ver com o salário do mês e mais com o acúmulo de oportunidades ao longo do tempo.
Direcione o esforço para resolver problemas relevantes
Em um ambiente mais competitivo, Esteves reforça um ponto clássico que continua atual.
“A correlação da sorte com horas trabalhadas é enorme”, diz.
Mas ele faz uma distinção importante. Esforço não é sinônimo de carga horária. O diferencial está em resolver problemas relevantes e não apenas em trabalhar mais tempo.
No início da carreira, passou seis meses trabalhando também aos fins de semana para reconstruir um sistema crítico. O reconhecimento veio depois.
“É o esforço que agrega, que resolve problema”, afirma.
Desenvolva habilidades sociais além do técnico
Mesmo com a valorização de perfis técnicos, especialmente em tecnologia, Esteves reforça que isso não resolve sozinho o crescimento na carreira.
“O sucesso profissional está sempre muito ligado à capacidade de se relacionar”, diz.
Para o banqueiro, os profissionais mais completos são os que combinam conhecimento técnico com leitura de contexto, comunicação e inteligência emocional.
Use a inteligência artificial a seu favor
A preocupação com a inteligência artificial apareceu entre os jovens presentes no evento, especialmente diante de sinais de redução em vagas iniciais.
Esteves adota uma visão pragmática. Para ele, a tecnologia não elimina oportunidades, mas transforma o tipo de demanda do mercado.
“Vão acabar certos empregos e vão começar outros”, diz.
Na visão do banqueiro, o avanço da IA tende a aumentar a produtividade e abrir espaço para novos modelos de negócio, como aconteceu com outras grandes inovações.
“Vocês já são ‘AI born’. Precisam usar isso a favor de vocês”, afirma.
Aprenda com os erros e siga em frente
Outro ponto recorrente na fala foi a relação com erro, especialmente relevante no início da carreira. “Só erra quem faz”, afirma.
Para ele, errar faz parte do processo de crescimento, mas o diferencial está na forma como o profissional reage.
É preciso reconhecer rapidamente, entender o que não funcionou e seguir em frente sem carregar o peso da frustração por tempo demais. O risco, segundo ele, é transformar o erro em bloqueio e perder velocidade na trajetória.
“Muita gente se traumatiza. Não pode”, diz.
Ao olhar para o cenário atual, a fala de Esteves aponta menos para qual carreira escolher e mais para como construir relevância ao longo do tempo. Em um mercado mais competitivo, a vantagem não está necessariamente no ponto de partida, mas na consistência ao longo da trajetória.
“O futuro depende principalmente de vocês”, afirma.
Assista ao novo episódio do Choque de Gestão
Você gostaria de receber uma mentoria gratuita com um grande empresário brasileiro? Inscreva-se no Choque de Gestão.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: