Mercado vê desgaste acumulado de Flávio Bolsonaro e prevê recuperação difícil
A visão do mercado financeiro é que o senador Flávio Bolsonaro (PL) segue na "linha de tiro" do eleitorado após o desgaste envolvendo a divulgação do áudio com Daniel Vorcaro, controlador do extinto Banco Master, e pedido de recursos para o ex-banqueiro preso para financiar o filme do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Fontes do mercado que circulam pela Faria Lima, ouvidas pela EXAME, analisam que os dados das últimas pesquisas eleitorais, principalmente da Genial/Quaest, eram esperados e mostram que o baque foi grande e não será de fácil recuperação.
Mesmo após a visita a Donald Trump e a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas, Flávio apresentou recuo ou estagnação nas pesquisas.
No levantamento divulgado na última quarta-feira, 10, Lula lidera o cenário de primeiro turno com vantagem de 10 pontos percentuais. Na simulação de segundo turno, o petista tem 44% contra 38% do senador, vantagem de seis pontos.
Tarifaço também impacta
Essas fontes lembram ainda que a visita de Flávio a Trump coincidiu com a ameaça de novas tarifas americanas contra produtos brasileiros, cenário que contribuiu para a percepção negativa sobre o senador.
O governo do presidente Lula reagiu de forma rápida para criar o termo "Tariflávio", e ligar as tarifas a um ataque ao Pix, sistema de pagamento instantâneo que está na mira dos americanos.
Segundo um recorte da pesquisa Quaest, 47% dos eleitores concordam com o argumento defendido pelo governo Lula de que Flávio pediu novas tarifas aos Estados Unidos para prejudicar Lula.
A percepção de agentes do mercado financeiro ainda considera que novas revelações relacionadas à relação de Flávio, Vorcaro e outros aliados do senador podem surgir, pressionando ainda mais a candidatura.
Apesar disso, 70% dos eleitores que declaram voto em Flávio se mostram decididos.
Diante dessa sequência de eventos e do histórico de desgaste, a visão predominante entre analistas é que, a preços atuais, o cenário favorece a vitória de Lula e um possível quarto mandato.
O resultado, segundo esses agentes, será a dificuldade do Brasil na gestão das contas públicas, uma que o modelo de governo não se alterará.
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