Mercados se preparam para segunda-feira turbulenta após escalada do conflito no Irã

Por Carolina Ingizza 23 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Mercados se preparam para segunda-feira turbulenta após escalada do conflito no Irã

A escalada da guerra entre Estados Unidos e Irã neste final de semana deve impor mais um dia de volatilidade aos mercados globais nesta segunda-feira, 23. Investidores entram na semana em modo defensivo diante do risco crescente de interrupções no fornecimento de petróleo.

O ponto central de atenção é o ultimato dado pelo presidente Donald Trump, que exigiu a reabertura do Estreito de Ormuz em até 48 horas, prazo que termina na noite de segunda-feira.

O Irã respondeu à ameaça e informou que pode fechar a rota indefinidamente e atacar infraestrutura energética de EUA e aliados na região, o que eleva o risco de uma escalada mais ampla do conflito.

O impasse envolve uma das principais vias do comércio global de energia. Cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo passa pelo Estreito de Ormuz, e o tráfego na região já foi drasticamente reduzido desde o início do conflito, no fim de fevereiro.

Com isso, a expectativa é de nova alta do petróleo. Analistas ouvidos pela agência Reuters afirmam que os preços devem subir nesta segunda-feira, após o Brent encerrar a última sexta-feira, 20, acima de US$ 112 por barril — o maior nível em quase quatro anos.

Efeitos nos mercados

A alta do petróleo amplia o risco de inflação global e já começa a influenciar a leitura dos mercados sobre política monetária.

Na sexta-feira, ativos americanos recuaram com investidores passando a considerar a possibilidade de novas altas de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) ainda neste ano. O movimento levou a uma queda simultânea de ações e títulos, com o S&P 500 recuando 1,5% no dia e acumulando a quarta semana consecutiva de perdas.

Para esta segunda-feira, a expectativa é de continuidade desse movimento.

Analistas do banco ANZ avaliam que o aumento das tensões torna mais difícil ignorar o risco de interrupções no fornecimento global de energia, o que pode levar investidores a reduzir a exposição a ativos de risco na abertura dos mercados.

Na mesma linha, grandes bancos de Wall Street, como Goldman Sachs e Société Générale, já passaram a adotar uma postura mais conservadora diante da possibilidade de um conflito mais longo, segundo informações da agência Bloomberg.

Além do impacto imediato nos preços, a guerra também começa a afetar as expectativas para a economia. Índices de gerentes de compras (PMIs) de março, que serão divulgados nos próximos dias, devem mostrar desaceleração em diversas economias, segundo a mediana das estimativas de economistas reunidas pela agência.

No cenário mais amplo, a combinação de petróleo em alta, inflação pressionada e crescimento mais fraco cria um ambiente mais desafiador para os mercados. Com o prazo do ultimato de Trump se aproximando e sem sinais claros de recuo, a tendência é de maior cautela entre investidores no começo da semana.

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