Mergulhadores que caçavam ouriços-do-mar acham R$ 9 bilhões no oceano — mas agora podem ser presos

Por Mateus Omena 5 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Mergulhadores que caçavam ouriços-do-mar acham R$ 9 bilhões no oceano — mas agora podem ser presos

O que começou como uma coleta comum de ouriços-do-mar no litoral da Córsega resultou em um dos maiores litígios judiciais envolvendo patrimônio arqueológico submerso da Europa. A descoberta de milhares de moedas romanas de ouro, avaliadas em cerca de R$ 9,1 bilhões, levou à abertura de uma investigação internacional que se estende por quase quatro décadas.

Três mergulhadores franceses encontraram o tesouro em 1985, durante uma atividade rotineira de coleta de ouriços-do-mar no Mar Mediterrâneo, ao largo da costa da ilha da Córsega, território sob jurisdição da França. Entre os artefatos estavam moedas datadas do século III e uma travessa feita inteiramente de ouro maciço, itens de valor arqueológico considerado raro.

Após a descoberta, parte das moedas foi vendida de forma clandestina, por valores bem abaixo do mercado, o que chamou a atenção de especialistas e autoridades. A dispersão das peças provocou alerta na comunidade de numismática, ramo especializado no estudo e coleção de moedas, que identificou o aparecimento recorrente de exemplares semelhantes em leilões e acervos privados fora da França.

A denúncia foi publicada pela imprensa local em 1986 e resultou na abertura de uma investigação liderada pela gendarmaria francesa. Na década seguinte, pelo menos 78 moedas foram confiscadas. Os envolvidos receberam multas, mas parte significativa do acervo já havia deixado o país. Desde então, a Interpol, organização internacional de cooperação policial, monitora leilões e catálogos internacionais em busca das peças remanescentes.

Travessa apreendida reacende disputa judicial

O caso retornou à esfera judicial em 2010, após a apreensão de uma travessa de ouro romano no Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris. O objeto estava na bagagem de Félix Biancamaria, um dos mergulhadores envolvidos na descoberta original. As autoridades entenderam que a peça seria destinada à venda ilegal.

A defesa alega que parte do material pode ter sido recolhida em terra firme, e não no mar, o que abriria possibilidade legal de propriedade parcial, segundo interpretação dos advogados. No entanto, os argumentos enfrentam resistência judicial, já que não foi identificado naufrágio que justifique a presença do tesouro e os registros apontam múltiplos mergulhos no mesmo local, o que contradiz a versão de descoberta terrestre.

Os réus ainda respondem por acusações relacionadas à ocultação de patrimônio histórico, tentativa de comercialização ilegal e descumprimento de normas de proteção a bens culturais da União Europeia.

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