Mesmo com taxa das blusinhas, vestuário chinês era até 13% mais barato
Mesmo com a "taxa das blusinhas" em vigor, as plataformas asiáticas nunca perderam sua vantagem competitiva de preço frente ao varejo brasileiro. Pesquisa proprietária do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) comparando uma cesta de oito produtos mostra que a Shein é, hoje, 6% mais barata que a Riachuelo, 10% mais barata que a Renner e 13% mais barata que a C&A. Uma diferença que, para o consumidor de renda média e baixa, pesa diretamente na decisão de compra.
Agora, com a medida provisória assinada pelo presidente Lula zerando o imposto federal de 20% sobre compras internacionais abaixo de US$ 50, essa distância de preço tende a se alargar ainda mais. Antes da taxa, a carga tributária efetiva sobre produtos importados chegava a 40–50%, somando o imposto federal ao ICMS, que varia conforme o estado e a categoria do produto. Com a revogação, parte relevante dessa vantagem estrutural das plataformas estrangeiras é restaurada de uma vez.
Antes da implementação da taxa, em 2024, o Brasil recebia mais de 18 milhões de encomendas internacionais de baixo valor por mês. Com a tributação, esse volume caiu para cerca de 11 milhões mensais no segundo semestre daquele ano.
As plataformas, porém, não ficaram paradas: investiram em subsídios de frete, melhoraram a eficiência logística e expandiram o número de vendedores locais, o que levou o volume a se recuperar parcialmente para a faixa de 15 a 17 milhões de envios por mês. A alíquota zero deve acelerar esse crescimento novamente.
O BTG pondera que, nos últimos dois anos, as varejistas brasileiras se tornaram mais disciplinadas em precificação, abastecimento (sourcing) e em gestão de estoque — o que explica, em parte, por que a diferença de preço não é ainda maior. As empresas domésticas aprenderam a operar com margens mais apertadas, a reduzir excessos de inventário e a ser mais assertivas na escolha dos produtos que colocam nas prateleiras.
Ainda assim, o banco avalia que o ambiente competitivo ficou estruturalmente mais difícil com a revogação da taxa, e o poder de precificação das empresas domésticas voltou a ser pressionado. A vantagem das plataformas estrangeiras não se resume apenas ao preço final. Envolve também escala global de compras, acesso a fornecedores asiáticos de custo mais baixo e capacidade de absorver perdas no curto prazo para ganhar participação de mercado.
O grande teste para o varejo brasileiro, segundo o BTG, será sustentar os avanços operacionais conquistados recentemente enquanto enfrenta uma nova rodada de pressão por preço e disputa de clientes.
A diferença entre o ciclo atual e o de 2023–2024 está na maturidade das empresas domésticas — mas a ameaça, desta vez com alíquota zero, é mais intensa do que antes
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