Mesmo em desaceleração, energia solar bate R$ 300 bi em investimentos

Por Letícia Ozório 1 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Mesmo em desaceleração, energia solar bate R$ 300 bi em investimentos

A energia solar fotovoltaica atingiu um novo patamar histórico no Brasil ao ultrapassar a marca de R$ 300 bilhões em investimentos acumulados.

O mapeamento, realizado pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), considera tanto as usinas de grande porte (geração centralizada) quanto os sistemas instalados em telhados, fachadas e pequenos terrenos (geração própria).

Apesar do marco bilionário e do impacto social — com a criação de mais de 2 milhões de empregos verdes na última década —, o setor enfrenta um cenário de desaceleração. Em 2025, o mercado registrou uma retração de 25,6% na potência adicionada: foram 11,6 gigawatts (GW) instalados no ano passado, contra os 15,6 GW verificados em 2024.

Desafios regulatórios

Atualmente, a fonte solar consolidou-se como a segunda maior na matriz elétrica brasileira, representando 25,3% do total, com mais de 68,6 GW em operação. Em termos fiscais, a atividade já rendeu mais de R$ 95,9 bilhões em arrecadação aos cofres públicos.

Contudo, o avanço perdeu fôlego devido a barreiras estruturais. Entre os principais motivos listados pela ABSOLAR para a baixa no mercado estão:

Liderança nos estados

A tecnologia já alcança todas as regiões brasileiras, estando presente em mais de 5 mil municípios. No segmento das grandes usinas, Minas Gerais lidera o ranking nacional com 8,6 GW de capacidade, seguida por Bahia (2,9 GW) e Piauí (2,4 GW).

Já na geração distribuída (sistemas de pequeno e médio porte), o estado de São Paulo figura na frente com 6,5 GW, seguido por Minas Gerais (5,8 GW) e Paraná (4,2 GW).

Futuro da transição energética

De acordo com Rodrigo Sauaia, CEO da ABSOLAR, o crescimento da economia verde poderia ser mais expressivo se não fossem os cancelamentos de investimentos e o fechamento de empresas no último ano. "Esses entraves limitaram o potencial de crescimento de um setor estratégico para a transição energética do País", afirma.

Para o ciclo de 2026 a 2030, a nova presidente do Conselho de Administração da entidade, Barbara Rubim, assume com a missão de buscar uma expansão mais equilibrada.

A agenda da nova gestão prioriza a modernização regulatória, o fortalecimento do mercado livre e o estímulo a novas fronteiras tecnológicas, como o armazenamento de energia, hidrogênio verde, data centers e eletromobilidade. Segundo Rubim, a aceleração da transição no país exige inovação e sinais de preço mais claros para o consumidor final.

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