Mesmo se juros não caírem, nosso lucro vai crescer, diz CEO da Movida
A Movida encerrou o ano de 2025 com uma dívida líquida de R$ 15 bilhões. É uma cifra pesada que ainda machuca o balanço da empresa, mas não impediu que a locadora de veículos tivesse um crescimento relevante de lucro no ano passado. O forte resultado das operações amorteceu o impacto do endividamento e a Movida conseguiu reduzir sua alavancagem para o menor nível em cinco anos. A companhia faz parte de um setor intensivo em capital e os juros altos da economia bateram diretamente na linha financeira, impedindo que o lucro fosse maior.
A redução de juros é importante para a Movida e o ciclo de alívio monetário começou mais morno do que o esperado. O Banco Central começou com um corte moderado, de 0,25 ponto percentual, enquanto observa os efeitos da Guerra no Oriente Médio na nossa inflação. O mercado já começa a revisar suas projeções para os juros no final do ano e, ainda que espere por mais cortes, não vê a Selic tão mais baixa quanto está hoje.
"A cada ponto percentual de redução da Selic, nosso lucro cresce 50%, comparado com o ano passado", explica Gustavo Moscatelli, CEO da Movida. Mas o executivo prefere não depender das decisões do BC. Para sentir menos o baque dos juros altos, a companhia conciliou disciplina financeira com ganho de eficiência operacional. Conseguiu elevar o preço médio das diárias sem perder volume, pelo contrário. "Tivemos 670 mil novos CPFs que nunca haviam usado o serviço da Movida", diz o executivo. A confiança no negócio se manteve com a virada do ano e a companhia soltou até um guidance para este primeiro trimestre, esperando um crescimento anual de lucro da ordem de 50%.
"A redução da taxa de juros pode ser uma alavanca adicional de melhoria do lucro e pode ser bastante expressiva", reconhece Moscatelli. "Mas mesmo se a gente não tiver essa redução durante o ano, o lucro da companhia vai ser muito superior ao do ano passado, por conta de todas as melhorias que implantamos e ganharam maturidade".
Nos últimos três anos, a Movida pisou no freio em expansão de negócios para focar no amadurecimento de investimentos já feitos. Em vez de abrir novas lojas e adicionar novos veículos à frota, a prioridade foi melhorar processos internos e serviços, para, por fim, melhorar a rentabilidade. Aos poucos, a ação foi recuperando a confiança do investidores, com casas como BTG Pactual, Itaú BBA e XP com recomendação de compra para MOVI3.
Este ano, a ação acumula valorização de 37,49% e de 187% no acumulado de 12 meses. "Preço da ação e valor de mercado da empresa são coisas que não estão ao nosso alcance. Mas a gente viu, sim, um reconhecimento do mercado como um todo, do sell side e dos próprios investidores. Por mais que as últimas semanas todo mundo tenha sofrido um pouco, com a questão geopolítica, nossa valorização continua acima de 20% no ano. O reconhecimento vem à medida que a gente entrega resultado consistente", diz o CEO.
Movida em 2025
A Movida fechou o quarto trimestre de 2025 com lucro líquido de R$ 102 milhões, alta de 64,5% na comparação anual, mas ainda sob forte pressão do resultado financeiro. Os resultados operacionais da locadora de veículos foram os melhores em anos e a alavancagem caiu para o menor nível desde 2021. A linha final do balanço, porém, poderia ser maior, não fosse o custo da dívida em um ambiente de juros elevados,
No trimestre, o EBIT, resultado operacional sem considerar depreciações, somou R$ 851 milhões. O resultado financeiro, por outro lado, foi negativo em R$ 764 milhões. A receita líquida consolidada atingiu R$ 3,659 bilhões no quarto trimestre, alta de 12,6%, enquanto o EBITDA cresceu 19,8%, para R$ 1,49 bilhão, com avanço de margem.
No aluguel de carros (RAC), a receita chegou a R$ 969 milhões, alta de 19,8%, com EBITDA de R$ 649 milhões e margem de 67%. O desempenho reflete a recomposição de tarifas, com a diária média subindo 6,6% para R$ 161, e o avanço de 12,3% no volume de locações (6,689 milhões).
Já na gestão e terceirização de frotas (GTF), segmento mais previsível e rentável, a receita somou R$ 1,08 bilhão, alta de 14,9%, com EBITDA de R$ 812 milhões e margem próxima de 75%. O segmento foi sustentado por renovações de contratos com maior retorno (yield) e duração.
O CAPEX líquido caiu 21,8% em 2025, para R$ 3,7 bilhões, refletindo menor expansão, especialmente no GTF, e maior controle na renovação da frota. A empresa encerrou o ano com 275 mil carros, alta modesta de 2,4%. O fluxo de caixa livre antes de juros ficou positivo em R$ 786,9 milhões, revertendo o resultado negativo do ano anterior.
"Não temos, este ano, um plano de crescimento de frota. Faremos melhorias operacionais que vão continuar melhorando a receita. Mas, a geração de caixa vai continuar sendo destinada para a redução do endividamento e da alavancagem da companhia. Esse continua sendo o foco para o ano de 2026", diz Moscatelli.
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