Meta aposta em busca com IA no Facebook e analistas projetam receita de US$ 10 bilhões
A Meta lançou na segunda-feira, 15, o "AI Mode" dentro da busca do Facebook, uma ferramenta que transforma a barra de pesquisa da rede social em um motor de busca com inteligência artificial (IA), respondendo diretamente às perguntas dos usuários com base em conteúdo público de Grupos e Reels, em vez de retornar uma lista genérica de resultados.
É a primeira vez que a empresa posiciona a IA como substituta direta da busca tradicional do Facebook, colocando-a em competição mais direta com o Google.
Se o novo recurso conseguir reter 1 bilhão de usuários, cerca de um terço dos usuários ativos mensais do Facebook, e monetizar apenas 10% das consultas diárias, pode gerar mais de US$ 10 bilhões em receita anual para a Meta, segundo Brian Nowak, analista do Morgan Stanley.
As ações da Meta subiram quase 5% na tarde de segunda, chegando a US$ 595.
Ainda assim, o papel acumula queda de cerca de 8% no ano, em um reflexo da desconfiança dos investidores em relação à capacidade da empresa de transformar seus investimentos bilionários em IA em retorno mensurável.
O modelo por trás da busca
A ferramenta é alimentada pelo Muse Spark, o modelo de IA que a Meta estreou em abril, originalmente sob o codinome Avocado, e o primeiro grande modelo desenvolvido pelo Meta Superintelligence Labs.
O laboratório é chefiado por Alexandr Wang, ex-CEO da Scale AI, contratado como parte de um acordo de US$ 14,3 bilhões entre a Meta e a Scale AI.
O Muse Spark representa uma mudança de estratégia significativa: depois do fracasso da família de modelos Llama 4, que levou a Meta a abandonar em grande parte sua estratégia de IA de código aberto, a empresa migrou para um sistema proprietário e de código fechado.
O lançamento de segunda-feira inclui ainda novos recursos de edição de fotos e vídeos assistidos por IA — modelos de recorte para colagens, efeitos de transição em vídeos e predefinições de fotos que permitem aos usuários alterar roupas, cabelo e acessórios nas imagens.
O problema estrutural que o AI Mode herda
A aposta da Meta tem um risco embutido que analistas e veículos especializados já sinalizaram.
Ao contrário de buscadores que privilegiam fontes autorizadas e editáveis, como o Google Search Generative Experience ou o Perplexity, que se apoiam em fontes como a Wikipedia, o AI Mode do Facebook vai buscar suas respostas em postagens públicas de usuários comuns, incluindo conteúdo não verificado.
O TechCrunch e o Engadget apontaram que isso coloca o sistema em desvantagem estrutural em relação aos concorrentes: posts de Facebook não são verificados, e a desinformação é um problema histórico da plataforma.
A Meta na corrida da IA: atrasada, mas acelerando
A Meta prevê gastar entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões em despesas de capital relacionadas à IA em 2026 — quase o dobro do ano anterior.
Apesar disso, a empresa ficou para trás na corrida dos modelos de linguagem. A OpenAI e a Anthropic são hoje coletivamente avaliadas em mais de US$ 1 trilhão.
O Gemini, do Google, ganhou tração especialmente no mercado consumidor. O Meta AI, apesar de ter crescido 973% em usuários ativos mensais no último ano segundo a Sensor Tower, ainda enfrenta o desafio de converter presença em monetização real.
Nowak, do Morgan Stanley, argumenta que o AI Mode pode ser o catalisador que faltava. O Facebook tem 3 bilhões de usuários ativos mensais e um arquivo imenso de conteúdo em linguagem natural gerado por humanos, uma vantagem de dados que nenhum concorrente consegue replicar do zero.
A questão é se esse ativo vai se traduzir em respostas confiáveis o suficiente para que as pessoas troquem o Google pelo feed de grupos do Facebook como fonte de informação.
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