Meta lança nova IA Muse Spark e tenta retomar posição na corrida da IA
A Meta anunciou nesta quarta-feira, 8, o modelo Muse Spark como parte central de sua tentativa de recuperar terreno na corrida global de inteligência artificial. A iniciativa surge após uma série de investimentos bilionários em talentos e infraestrutura, em meio à aceleração de lançamentos por rivais como OpenAI, Anthropic e Google DeepMind.
Diferentemente de modelos anteriores da empresa, como a família Llama, que adotava estratégia de código aberto (open source, modelo com acesso público ao código), o Muse Spark é um sistema fechado. Ele será integrado ao chatbot da Meta e disponibilizado inicialmente para parceiros por meio de uma API, interface que permite a desenvolvedores construir aplicações sobre o software.
A Meta afirmou que pode liberar versões abertas do modelo no futuro, mas sem detalhar prazos ou escopo. A mudança indica uma inflexão na estratégia da companhia, que vinha defendendo o código aberto como diferencial competitivo.
O anúncio também reforça o papel da recém-criada Meta Superintelligence Labs, divisão voltada ao desenvolvimento de sistemas avançados de IA. Em publicação na rede Threads, o CEO Mark Zuckerberg afirmou que o objetivo é levar "superinteligência pessoal" ao público.
Testes internos divulgados pela empresa indicam que o Muse Spark superou o modelo Gemini, do Google, em alguns benchmarks e apresentou desempenho competitivo frente a sistemas da OpenAI e Anthropic. Segundo a Meta, o modelo também teve desempenho significativamente superior ao Grok, da xAI, na maioria dos testes.
Apesar dos números, Zuckerberg adotou tom cauteloso ao comentar o estágio da tecnologia. Ele afirmou que os primeiros modelos devem demonstrar principalmente a velocidade de evolução da empresa ao longo de 2026.
Reestruturação, contratações e pressão interna
O lançamento representa um marco para Alexandr Wang, ex-CEO da Scale AI, contratado após um acordo de US$ 14 bilhões e colocado à frente das iniciativas de IA da Meta. Sua chegada ocorreu após o desempenho considerado decepcionante do Llama 4.
A empresa enfrentou críticas por manipular resultados em benchmarks de terceiros — prática que posteriormente admitiu — e acabou adiando indefinidamente o modelo Behemoth, que nunca foi lançado.
Para acelerar o desenvolvimento, Zuckerberg liderou uma ofensiva agressiva por talentos, com ofertas de até US$ 100 milhões para pesquisadores e encontros pessoais com candidatos na Califórnia. O esforço resultou na formação de uma equipe com mais de 50 especialistas.
Esse movimento, no entanto, gerou atritos internos. Parte dos funcionários deixou a empresa, seja por desligamentos ligados à reestruturação ou por migração para concorrentes.
Em paralelo, Wang revelou que a Meta trabalha em outros dois modelos: o Avocado, voltado para texto, e o Mango, focado em imagem e vídeo, indicando uma estratégia mais ampla para competir em múltiplos formatos de IA generativa.
No mercado financeiro, a reação foi imediata: as ações da Meta subiram cerca de 4% após o anúncio, sinalizando expectativa de investidores quanto à nova fase da companhia na disputa tecnológica.
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