Meta supera projeção de lucro, mas investimento em IA trava margem e ação cai
A Meta Platforms, dona do Facebook, Instagram e Whatsapp, registrou lucro líquido de US$ 26,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 61% em relação aos US$ 16,6 bilhões do mesmo período do ano anterior. O resultado foi beneficiado por um efeito fiscal não recorrente de US$ 8,03 bilhões relacionado a um alívio tributário.
Sem esse efeito, o lucro líquido teria sido de US$ 18,7 bilhões, alta de 13%, e lucro por ação diluído de US$ 7,31. O número fica bem acima do consenso de analistas, que projetava US$ 6,67 a US$ 6,79 segundo estimativas da LSEG e da FactSet.
A receita líquida totalizou US$ 56,3 bilhões, crescimento de 33% em relação aos US$ 42,3 bilhões do Q1 2025, o ritmo mais acelerado desde 2021, segundo a companhia.
A receita de publicidade, que representa a esmagadora maioria do faturamento, somou US$ 55 bilhões, alta de 33%. O crescimento foi impulsionado pela combinação de mais volume e maior preço: as impressões de anúncios entregues pela família de aplicativos avançaram 19% e o preço médio por anúncio subiu 12%, ambos em base anual.
A família de aplicativos que reúne Facebook, Instagram, Messenger e WhatsApp, gerou receita de US$ 55,9 bilhões e lucro operacional de US$ 26,9 bilhões. A receita média por usuário ativo diário foi de US$ 15,66, crescimento de 27% em relação aos US$ 12,36 do Q1 2025.
A base de usuários chegou a 3,56 bilhões de pessoas ativas diariamente em março de 2026, crescimento de 4% em relação ao mesmo mês de 2025. Na comparação com o quarto trimestre de 2025, houve uma leve retração, já que o número estava em 3,58 bilhões. A companhia atribuiu a queda a interrupções de internet no Irã e restrições de acesso ao WhatsApp na Rússia.
O Reality Labs, divisão de realidade virtual e aumentada, registrou receita de apenas US$ 402 milhões e prejuízo operacional de US$ 4 bilhões, acumulando perdas bilionárias sem previsão de reversão no curto prazo.
Os custos totais cresceram 35% para US$ 33,4 bilhões, ritmo ligeiramente superior ao da receita, o que manteve a margem operacional estável em 41%, igual ao Q1 2025.
As despesas com pesquisa e desenvolvimento foi a linha que mais pesou proporcionalmente, correspondendo a 31% da receita, ante 29% no mesmo período do ano anterior, reflexo do aumento dos investimentos em inteligência artificial.
O capex do trimestre totalizou US$ 19,8 bilhões, alta de 45% em relação aos US$ 13,7 bilhões do Q1 2025.
O fluxo de caixa operacional avançou 34%, para US$ 32,2 bilhões, e o fluxo de caixa livre cresceu 20%, para US$ 12,4 bilhões. A posição de caixa e títulos mobiliários encerrou o trimestre em US$ 81,2 bilhões.
Para o segundo trimestre de 2026, a Meta projeta receita entre US$ 58 bilhões e US$ 61 bilhões, com ponto médio de US$ 59,5 bilhões, praticamente em linha com o consenso de analistas.
O destaque negativo do guidance foi a elevação da projeção de capex anual para 2026, de US$ 115–135 bilhões para US$ 125–145 bilhões, acima dos US$ 122,6 bilhões que o mercado esperava. A companhia justificou o aumento com a alta nos preços de componentes e custos adicionais com data centers.
A previsão para as despesas totais do ano foi mantida entre US$ 162 e US$ 169 bilhões. A ação caiu cerca de 6% nas negociações após o fechamento do mercado, com o mercado reagindo principalmente ao capex mais elevado.
A companhia também alertou que processos judiciais relacionados à segurança de usuários adolescentes dos aplicativos podem resultar em perdas materiais ao longo do ano.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: