Metade dos brasileiros têm intenção de comprar imóvel — mesmo com juros altos
A intenção de compra de imóveis no Brasil permaneceu em patamar elevado no primeiro trimestre de 2026, mesmo em um cenário de juros altos e maior endividamento das famílias. Segundo o estudo Indicadores Imobiliários Nacionais, divulgado nesta segunda-feira, 25, pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção em parceria com a Brain Inteligência Estratégica, 49% dos brasileiros afirmaram ter intenção de comprar um imóvel nos próximos 24 meses.
O percentual ficou praticamente estável em relação ao quarto trimestre de 2025, quando o índice foi de 50%, e representa uma alta de cinco pontos percentuais na comparação com o mesmo período do ano passado, quando marcava 44%.
Segundo o levantamento, o nível de intenção de compra permanece entre 49% e 50% desde junho de 2024, configurando um dos patamares mais elevados da série histórica do estudo, que completa dez anos em 2026.
"Esse é um índice bastante elevado, é positivo esse resultado", afirmou Lucas Andrade, analista de Inteligência de Mercado da Brain, durante a apresentação dos dados à imprensa. Segundo Andrade, o cenário favorável do mercado de trabalho e o aumento da renda média têm sustentado o interesse das famílias pela compra da casa própria.
"Nós estamos com taxa de desemprego em 6,1%, uma taxa recorde histórica baixa, e isso faz com que as pessoas se sintam confortáveis e tenham confiança para fazer esse tipo de investimento de longo prazo", disse.
No início de maio, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que o rendimento médio mensal real de todas as fontes da população residente com rendimento no Brasil alcançou R$ 3.367 em 2025, o maior valor da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012.
Apesar do ambiente de juros elevados e do alto nível de endividamento das famílias, o executivo afirmou que os fatores macroeconômicos positivos continuam impulsionando a intenção de compra. "A vontade de comprar está sendo muito impactada exatamente por esses dados positivos", afirmou.
Preferência dos brasileiros é por 'casas de rua'
O estudo foi realizado com mais de 2 mil entrevistas em 221 cidades brasileiras, incluindo todas as capitais e principais regiões metropolitanas, com apoio técnico do Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP) e correalização do Serviço Social da Indústria (Sesi).
Entre os entrevistados que manifestaram interesse em adquirir um imóvel, 14% já estão em busca ativa. Desse total, 9% pesquisam imóveis pela internet e 5% já realizam visitas presenciais. Outros 35% afirmaram ter intenção de compra, mas ainda sem iniciar efetivamente o processo.
O levantamento também mostra que a maior parte dos potenciais compradores pretende fechar negócio no médio prazo. Entre os interessados, 29% planejam comprar um imóvel em até um ano, enquanto 39% pretendem realizar a compra entre um e dois anos. Outros 32% afirmaram que a aquisição deve ocorrer em um horizonte superior a dois anos.
A preferência do brasileiro segue concentrada nas casas de rua, opção escolhida por 47% dos entrevistados. Os apartamentos aparecem em seguida, com 35%, enquanto 14% demonstraram preferência por casas em condomínio fechado. Terrenos em loteamentos ou condomínios somaram 4%.
A principal finalidade da compra continua sendo a moradia. Segundo o estudo, 83% dos entrevistados querem adquirir um imóvel para morar, enquanto 13% buscam uma segunda residência voltada ao lazer e 9% pretendem comprar para fins comerciais.
Sair do aluguel aparece como a principal motivação de compra, mencionada por 38% dos interessados. Outros 12% afirmaram querer sair da casa dos pais. O levantamento também identificou um grupo relevante de consumidores interessados em melhorar o padrão da moradia atual. Entre eles, 12% buscam imóveis maiores, enquanto outros citam procura por unidades mais novas ou com mais benefícios.
O interesse por investimento também segue relevante. Pelo menos 13% dos entrevistados disseram pretender comprar um imóvel para investir, sendo que a maior parte mira o mercado de locação.
Intenção de compra deve aumentar com ampliação do Faixa 4 do MCMV
Durante a apresentação, Andrade destacou ainda o impacto do programa Minha Casa, Minha Vida sobre o mercado imobiliário. Segundo o analista da Brain, o fortalecimento da política habitacional ajudou a sustentar o nível de intenção de compra nos últimos trimestres, especialmente entre famílias de renda média.
Em março, o Conselho Curador do FGTS aprovou a ampliação dos limites de renda e dos tetos de financiamento do programa. Na Faixa 4, o limite de renda subiu de R$ 12 mil para R$ 13 mil mensais, enquanto o teto do valor do imóvel financiado passou a R$ 600 mil.
"Isso vai englobar uma parte importante das famílias de renda média. A tendência é que essas famílias também sejam atendidas, o que pode ter reflexo nessa intenção de compra nos próximos trimestres", afirmou Andrade.
O Minha Casa, Minha Vida respondeu sozinho por 49% de todas as vendas realizadas no país no trimestre, com 54.510 unidades comercializadas No primeiro trimestre de 2026, foram vendidas 110.722 unidades residenciais no país, alta de 4,1% em relação ao mesmo período de 2025. No acumulado de 12 meses, as vendas somaram 438.012 unidades.
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