México é consenso entre gestores como aposta menos exposta à crise no Irã
O México se consolidou como o principal consenso entre gestores ouvidos no Brazil Investment Forum, realizado pelo Bradesco BBI nesta semana, em São Paulo, em um momento em que o conflito no Oriente Médio tem provocado distorções relevantes na precificação global de juros e ativos.
Entre Ibiuna Investimentos, Genoa e Kapitalo Investimentos, o país foi o único a aparecer, com diferentes graus de convicção, nas três estratégias, sustentando a leitura de que hoje é uma das economias menos expostas ao choque.
Para Rodrigo Azevedo, sócio da Ibiuna, o México é, de longe, a oportunidade mais clara no cenário atual. Em sua avaliação, o mercado reagiu de forma exagerada ao conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, embutindo nas curvas de juros um aperto rápido e agressivo que não necessariamente se materializará.
"Dito isso, aonde a gente vê oportunidade nesse momento? Eu acho que é a oportunidade que mais chama atenção ao nosso entender é do México", afirmou.
Segundo Azevedo, a distorção é visível na própria curva. "Quando você pega a taxa de juros um ano à frente, está 'treidando' próximo a 8%, com a taxa de juros estando em 6,75%, o banco central ainda vai continuar a cortar".
Além da dinâmica de política monetária, o sócio da Ibiuna destaca o perfil da economia mexicana como um diferencial importante em meio à crise energética. "O impacto no peso mexicano foi relativamente contido e é uma economia relativamente menos exposta, porque inclusive é produtora de energia". disse.
Para o gestor, esse conjunto de fatores faz com que o país se destaque de forma clara entre as oportunidades atuais.
Peso dos juros e do BC do México
A leitura encontra respaldo também na decisão recente do banco central do México, que retomou o ciclo de cortes ao reduzir a taxa básica de juros para 6,75% ao ano, indicando que o nível de restrição já é suficiente diante dos riscos de desaceleração global.
Apesar do protagonismo mexicano, a Ibiuna também vê valor em outras geografias. Azevedo cita a África do Sul como uma das preferências relevantes e aponta oportunidades na Europa, onde, em sua visão, a reação das curvas de juros foi ainda mais exagerada do que nos Estados Unidos, com o mercado precificando altas superiores a 75 a 80 pontos-base em poucos meses.
Essa avaliação é compartilhada por André Raduan, sócio da Genoa, que também vê valor em posições aplicadas em juros na Europa, apostando que o mercado subestima o impacto recessivo de um aperto monetário mais intenso. Ao mesmo tempo, ele adota uma postura um pouco mais cautelosa em relação ao México, ainda que também mantenha o país no portfólio.
"A gente vê valor em algumas curvas, aplicadas. Europa, como o Rodrigo falou, concordamos. México, a gente está mais de olho… e eu diria o Brasil também", afirmou.
No caso brasileiro, Raduan avalia que a precificação atual já embute um cenário bastante adverso. "Me parece esses 100 pontos-base de corte um cenário bem adverso. Eu vejo valor ainda, mas com posições menores, porque o risco e a volatilidade aumentaram bastante", disse.
Na Kapitalo, o México também aparece entre os principais destinos de alocação, embora dividido com outros mercados desenvolvidos. Bruno Cordeiro, sócio da casa, avalia que a reação inicial ao conflito inflou excessivamente os prêmios nas curvas de juros, criando oportunidades táticas.
"Concordamos com o Rodrigo e com o Raduan. Quando você olha as curvas de juros, o preço ficou exagerado", disse. Nesse contexto, o gestor cita uma cesta de países que se beneficiam dessa distorção, que vão desde o Canadá até a Suécia. "E gostamos do México também", afirmou. O gestor reforça que, hoje, esses mercados concentram as melhores assimetrias.
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