Microsoft amplia investimentos de IA na África para competir com DeepSeek

Por Maria Eduarda Cury 13 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Microsoft amplia investimentos de IA na África para competir com DeepSeek

A Microsoft começou a direcionar esforços para que clientes e empresas da África adotem sua tecnologia de inteligência artificial ao invés dos modelos apresentados por empresas de tecnologia da China.

O movimento se alinha ao esforço mais amplo dos Estados Unidos para preservar influência tecnológica em mercados emergentes, enquanto plataformas da China ganham espaço. Entre elas está a DeepSeek, empresa chinesa de IA generativa, que já aparece com presença relevante em países africanos. Segundo dados citados pela própria Microsoft, a DeepSeek responde por 20% do mercado de IA em países como Etiópia e Zimbábue. Em escala continental, a participação da ferramenta no uso de chatbots, programas de conversa automatizada, varia de 11% a 14%.

Parte da aposta da Microsoft será executada com apoio da MTN Group, multinacional africana de telecomunicações. A parceria prevê a oferta de serviços como Microsoft 365 e Copilot, assistente de IA da empresa, para uma base superior a 300 milhões de usuários. A iniciativa busca ampliar a presença da empresa americana em mercados corporativos e educacionais e, ao mesmo tempo, reduzir a dependência regional de ferramentas chinesas.

A expansão também passa por infraestrutura. A Microsoft anunciou investimento de US$ 330 milhões para ampliar serviços de IA e nuvem na África do Sul em parceria com a G42, grupo de inteligência artificial dos Emirados Árabes Unidos, citado no texto como G24. A frente inclui ainda o plano de viabilizar, no Quênia, um centro de processamento de dados estimado em US$ 1 bilhão, com abastecimento por energia geotérmica.

Na apresentação do projeto, Peng Xiao, chefe-executivo da G42, afirmou que o retorno financeiro deve levar anos, mas defendeu a presença estratégica no continente. A declaração expõe a lógica de longo prazo por trás do investimento: mais do que receita imediata, o objetivo é ocupar espaço em uma região vista como fronteira de crescimento para serviços digitais, conectividade e automação.

Naim Yazbek, presidente da Microsoft para Oriente Médio e África, tem defendido que governos africanos tratem a IA como prioridade nacional. Em entrevista à Bloomberg, agência de notícias financeira dos EUA, afirmou que é preciso acelerar o processo de adoção para transformar a tecnologia em motor de desenvolvimento econômico. O discurso da empresa combina a promessa de ganhos de produtividade com a tentativa de consolidar um ecossistema próprio antes que concorrentes ampliem sua vantagem.

Copilot vira vitrine da expansão corporativa

O Copilot se tornou a principal peça comercial dessa estratégia. A Microsoft afirma que o produto, baseado em IA generativa para tarefas de escritório e produtividade, vem sendo adotado com mais força por empresas que querem automatizar rotinas e integrar recursos de análise, redação e atendimento. Yazbek citou como exemplos de uso grupos como a rede varejista Spar Group e a nigeriana Access Holdings.

Além do software, a empresa também pretende abrir acesso a plataformas como Azure, serviço de computação em nuvem da Microsoft, e GitHub, plataforma de hospedagem e desenvolvimento de código, para empreendedores locais. A leitura da companhia é que treinamento, infraestrutura e ferramentas para empresas podem funcionar como um pacote integrado para atrair negócios, formar mão de obra e consolidar padrões tecnológicos.

A ofensiva, porém, não ocorre em terreno vazio. A China já avançou em telecomunicações, infraestrutura digital e sistemas de software em vários países africanos nos últimos anos. Nesse cenário, o investimento da Microsoft ajuda a mostrar como a disputa global por IA deixou de ser apenas uma corrida por modelos mais poderosos e passou a incluir também a briga por distribuição, formação de usuários e presença física em mercados estratégicos.

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