Midjourney anuncia scanner corporal por ultrassom como primeiro produto de hardware
A Midjourney, conhecida por ser uma das primeiras startups especializadas em transformar texto em imagem, anunciou seu primeiro produto de hardware — e não é um gadget do tipo "vestir a IA", mas um scanner de corpo inteiro por ultrassom.
O fundador e CEO, David Holz, apresentou o aparelho em um evento em San Francisco nesta quinta, 17, ao lado de uma nova divisão, a Midjourney Medical, e do plano de abrir um spa próprio na cidade.
O Midjourney Scanner funciona como um "CT por ultrassom", segundo a empresa. O usuário entra numa piscina rasa e desce, a cinco centímetros por segundo, por um anel com centenas de milhares de transdutores que emitem ondas sonoras e medem como elas atravessam pele, gordura, músculo e osso. Um cluster de computação converte os dados em uma imagem 3D do interior do corpo.
O resultado do ultrassom feito por IA
A varredura leva cerca de 60 segundos, sem radiação e sem os ímãs de uma ressonância. O hardware foi desenvolvido com a Butterfly Network, fabricante de ultrassom que a Midjourney licenciou em novembro de 2025, e usa 40 módulos "ultrasound-on-chip" por máquina.
Holz afirmou que o resultado é, "de muitas formas, superior até a aparelhos de ressonância" — uma alegação ainda sem comprovação independente. O aparelho não tem aprovação da FDA, e por isso a empresa vai se limitar, por ora, a "mapas de composição corporal", que não exigem o mesmo crivo regulatório de um exame diagnóstico. Até agora, segundo o próprio CEO, cerca de uma dúzia de pessoas passou pelo scanner.
Só no Vale do Silício
O modelo de distribuição é tão incomum quanto o produto. Os scanners vão estrear em unidades do "Midjourney Spa", a primeira delas em um espaço de cerca de 2.300 m² na Union Square, em San Francisco, com sauna, banheira fria e academia, previsto para o fim de 2027. O contrato de locação já foi assinado, afirmou Holz. A ambição declarada é uma frota de 50 mil aparelhos e 1 bilhão de exames por mês até 2031.
A aposta vem de uma posição financeira rara no setor. A Midjourney é bootstrapped, nunca levantou capital externo, e lucrativa; Holz disse em março que a receita "superou com folga" os US$ 200 milhões já em 2023 e seguiu crescendo, enquanto rivais como a OpenAI queimam caixa. Holz tampouco é estreante em hardware: fundou a Leap Motion antes da Midjourney.
A varredura de 60 segundos é a parte fácil. O teste real é se uma fábrica de imagens consegue virar uma operação de equipamento médico regulado — e se os números do palco sobrevivem ao contato com a FDA.
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